Mais do que ensino e pesquisa, universidades podem gerar emprego e inovação | AGÊNCIA FAPESP

Mais do que ensino e pesquisa, universidades podem gerar emprego e inovação Sede da farmacêutica GSK na cidade de Stevenage, ao norte de Londres, onde a delegação da FAPESP também esteve presente no dia 13 de fevereiro (Foto: André Julião)

Mais do que ensino e pesquisa, universidades podem gerar emprego e inovação

18 de fevereiro de 2019

André Julião, de Oxford | Agência FAPESP – As universidades não podem mais se limitar ao ensino e à pesquisa. Precisam criar benefícios para a sociedade na forma de empregos e inovação. Essa é a visão de Chas Bountra, pró-reitor de inovação da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e cientista-chefe do Structure Genomics Consortium (SGC).

Bountra recebeu delegação da FAPESP no dia 13 de fevereiro, em Oxford, e falou sobre as iniciativas para inovação da universidade, principalmente na criação de novos medicamentos.

Tendo trabalhado na indústria farmacêutica por 19 anos antes de retornar, agora como professor, para a universidade onde realizou sua formação, Bountra foi vice-presidente e chefe de biologia da GlaxoSmithKline (GSK).

Atualmente no comando do SGC – parceria público-privada que reúne em diversos países mais de 400 cientistas de universidades, indústrias farmacêuticas e entidades sem fins lucrativos –, o pesquisador ressaltou a competência dos parceiros brasileiros sediados no Centro de Química Medicinal (CQMED) da Unicamp. 

Criado com apoio da FAPESP por meio do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), o CQMED é uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) especializada na área de biofármacos e fármacos. A unidade é formada por pesquisadores do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética e do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o SGC. O CQMED também tem apoio da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) por meio do programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia.

“A parceria tem sido um brilhante sucesso. O grupo da Unicamp está fazendo ciência de impacto, produzindo excelentes dados e publicações de alta qualidade. Além disso, está treinando jovens pesquisadores e construindo ligações com a indústria”, disse Bountra à Agência FAPESP.

Ele lembrou como a descoberta de novos medicamentos é arriscada, lenta e custosa. Trabalhar em colaboração, portanto, é a solução para diminuir os riscos, os custos e aumentar a velocidade de criação dessas terapias.

“Pacientes ao redor do mundo precisam de novos medicamentos. E eles querem logo. Há muitas doenças para as quais precisamos imediatamente de tratamento. Doenças raras, doenças mentais e demências. Em algumas partes do mundo temos epidemias de diabetes e doenças cardiovasculares. E há o câncer. Eu quero que reforcemos essa ligação em benefício da sociedade”, disse o pesquisador.

A visita à universidade foi conduzida por Wen Hwa Lee, cientista brasileiro que atualmente dirige o Oxford Martin Programme on Affordable Medicines dentro do SGC (leia mais em: http://agencia.fapesp.br/29826/).

Empreendedorismo

Bountra afirmou que, mais do que pesquisa e ensino, a Universidade de Oxford cria anualmente 25 empresas. Nos próximos anos, a expectativa é criar 40 novas companhias por ano.

“Nosso foco agora é tornar algumas delas empresas de 1 bilhão de libras [cerca de R$ 5 bilhões]. E nos próximos cinco anos, fazer com que três ou quatro delas valham 10, 20 bilhões, porque é aí que elas começam realmente a gerar empregos”, disse.

O pesquisador se inspira na Stanford University, dos Estados Unidos, de onde saíram, entre outras, Apple e Amazon, a primeira e a segunda empresa na história a valerem US$ 1 trilhão, e o Google, “provavelmente a terceira que deve alcançar esse posto”, disse.

“Podemos imaginar as oportunidades de trabalho para os estudantes de Stanford só nessas três empresas, as colaborações de pesquisa e o financiamento que vem delas. Eu adoraria se pudéssemos criar algo como isso. Queremos criar novas indústrias e atrair as existentes para trabalhar aqui”, disse.

GSK

Uma das parceiras do SGC é justamente a GSK, cuja unidade de Stevenage também recebeu a delegação da FAPESP no dia 13. A visita foi conduzida por Paul Life, chefe de operações científicas, Helen Sneddon, representante na empresa do Centro de Excelência para Pesquisa em Química Sustentável (GERSusChem), e David Tough, parceiro no Reino Unido do Centro de Excelência para Descoberta de Alvos Moleculares (CENTD).

O GERSusChem tem sede na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o CENTD no Instituto Butantan. Ambos têm apoio da FAPESP e da GSK, no âmbito do programa Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE).

“Nos quatro anos de parceria depositamos três patentes. Estamos prontos para realizar testes clínicos e lançar novos medicamentos no mercado”, disse Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, pesquisadora do Instituto Butantan e coordenadora do CENTD, presente na visita.
 

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