Sucesso pós-catástrofe | AGÊNCIA FAPESP

Fungo proliferou pelo planeta após extinção em massa há 250 milhões de anos (foto: British Geological Survey)

Sucesso pós-catástrofe

05 de outubro de 2009

Agência FAPESP – Saem as florestas, entram os fungos. Organismos muito pequenos que cobriram o planeta há mais de 250 milhões de anos parecem ser uma espécie de fungo antigo que proliferou na madeira morta, segundo pesquisa publicada na revista Geology.

O estudo, feito por um grupo internacional de pesquisa, aponta que os organismos foram capazes de prosperar de tal forma porque as florestas teriam desaparecido. Isso, segundo os pesquisadores, explicaria como os fungos do extinto gênero Reduviasporonites foram capazes de se espalhar por todo o planeta.

Os pesquisadores não sabiam até então se o microrganismo era um tipo de fungo ou de alga, mas a análise dos conteúdos de carbono e nitrogênio em registros fósseis indicou que se tratava de um tipo de fungo que se alimentava de madeira aprodrecida.

A análise apontou que o fungo viveu durante o período Permiano-Triássico, há estimados 251,4 milhões de anos, antes do surgimento dos dinossauros. No período, a Terra continha um continente gigantesco denominado Pangeia.

Registros geológicos indicam que o planeta experimentou uma catástrofe global durante o período. O continente foi coberto por grandes quantidades de lava, liberadas a partir de um local onde hoje se encontra a Sibéria. O resultado foi um grande evento de extinção em massa que dizimou cerca de 96% de todas as espécies marinhas e 70% das terrestres.

Tradicionalmente, os cientistas estimavam que as plantas terrestres teriam sobrevivido à catástrofe sem grandes perdas, mas o novo estudo aponta que a maior parte da vegetação não resistiu e que as florestas simplesmente desapareceram.

A pesquisa destaca que houve um grande salto na população de Reduviasporonites por toda a Pangeia à medida que o Permiano terminava. Os autores sugerem que isso significaria um grande aumento no suprimento de madeira apodrecida.

“Nosso estudo mostra que nem as plantas nem a vida animal escaparam do impacto daquela catástrofe global. Mas, ironicamente, as piores condições imagináveis para elas forneceu o melhor cenário possível para o fungo prosperar”, disse Mark Sephton, do Departamento de Ciências da Terra e Engenharia do Imperial College London, no Reino Unido, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores sugerem que os gases tóxicos lançados na atmosfera pela erupção vulcânica produziram chuva ácida e afetaram a camada de ozônio. O resultado foi a destruição das florestas, que forneceu alimento para o Reduviasporonites.

O artigo Chemical constitution of a Permian-Triassic disaster species, de Mark Sephton e outros, pode ser lido por assinantes da Geology (outubro, v.37, nº 10) em http://geology.gsapubs.org.

 

  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.


Assuntos mais procurados