Modelagem de cenários permite estimar impactos de políticas públicas na biodiversidade | AGÊNCIA FAPESP

Modelagem de cenários permite estimar impactos de políticas públicas na biodiversidade Com apoio da FAPESP, Escola São Paulo de Ciência Avançada em Cenários e Modelagem em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos capacita jovens pesquisadores em temas fundamentais para o planejamento ambiental (foto: Elton Alisson / Agência FAPESP)

Modelagem de cenários permite estimar impactos de políticas públicas na biodiversidade

12 de julho de 2019

Elton Alisson, de São Pedro (SP)  |  Agência FAPESP – Os aumentos na degradação ambiental e na extinção de espécies animais e vegetais em escala global, em ritmo sem precedentes, têm ampliado a necessidade de elaboração de cenários e modelagem em biodiversidade e serviços ecossistêmicos, como o de fornecimento de polinização, água e alimentos.

Essas ferramentas de análises prospectivas são fundamentais no planejamento ambiental porque permitem estabelecer relações entre o meio ambiente, a biodiversidade e as atividades humanas. Dessa forma, podem ajudar a responder perguntas sobre os impactos potenciais das decisões políticas no futuro da biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos e apoiar a formulação e implementação de ações de restauro e de conservação baseadas em fundamentos científicos.

A avaliação foi feita por pesquisadores participantes da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Cenários e Modelagem em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, que ocorre até o dia 14 de julho em São Pedro, no interior de São Paulo.

A Escola é promovida pelo Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) em parceria com a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e o Inter-American Institute for Global Change Research (IAI), com apoio da FAPESP por meio do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA).

O objetivo do evento é proporcionar a alunos de pós-graduação conhecimentos avançados e prática na área de cenários e modelagem em biodiversidade e serviços ecossistêmicos e sobre sua relação com o bem-estar humano, incluindo questões relacionadas a políticas públicas.

“É crucial capacitar jovens pesquisadores no uso dessas ferramentas, que envolvem também um cunho conceitual e teórico que está na linha de frente nas pesquisas na área de conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos”, disse Carlos Joly, professor no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) e coordenador da Escola, à Agência FAPESP.

A Escola tem a participação de 87 alunos, entre doutorandos e pós-doutorandos, dos quais 52 são do Brasil – 27 de São Paulo e 25 de oito estados – e 35 do exterior, provenientes de 20 países.

A programação é composta por palestras, discussões de casos reais e análises de estudos globais e de metas nacionais no campo de biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Os estudantes também realizam durante a Escola nove estudos de caso sobre temas como o impacto da expansão urbana na Mata Atlântica e da ação humana em recifes de corais e em manguezais em Puerto Morelos, no México.

“Eles iniciaram os estudos usando métricas de biodiversidade e serviços ecossistêmicos, depois discutiram o valor monetário e não monetário de cada componente. Em seguida, foram abordados os vetores diretos e indiretos que afetam a biodiversidade, os serviços ecossistêmicos e a valoração e os participantes passaram a usar ferramentas para modelar o impacto de políticas de conservação nesses vetores”, explicou Joly, que também é coordenador do programa BIOTA-FAPESP.

“No final, todas essas informações serão reunidas para criar cenários considerando situações como a falta de ação, a implantação de boas políticas de conservação baseadas no conhecimento científico e o retrocesso nas políticas de conservação”, disse.

Os trabalhos são orientados por pesquisadores do Brasil e do exterior. A maior parte deles participou da preparação do Diagnóstico Metodológico de Cenários e Modelagem, lançado em 2016 pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

O estudo embasou os diagnósticos lançados posteriormente pelo órgão, chamado de “IPCC para biodiversidade”, como o de polinização, sobre degradação e restauração e a primeira avaliação global do estado da natureza, divulgada em maio deste ano (leia mais em http://agencia.fapesp.br/30430/).

“Os modelos, juntamente com os cenários, podem ajudar a descrever ou visualizar futuros plausíveis em relação ao estado do ambiente ou alertar sobre riscos da perda de biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos”, disse Karachepone Ninan, pesquisador do Instituto para Mudanças Sociais e Econômicas da Índia, durante palestra no evento.

“Dessa forma, é possível tomar decisões fundamentadas e avaliar diversas alternativas ou estratégias de políticas públicas e tomar medidas protetivas ou reativas”, disse Ninan, que foi um dos coordenadores do Diagnóstico Metodológico de Cenários e Modelagem do IPBES, juntamente com Simon Ferrier, da Agência de Pesquisa Ambiental da Austrália (CSIRO) e também um dos professores da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Cenários e Modelagem em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos.

De acordo com Ninan, os tipos de modelos relevantes para as atividades do órgão abordam os efeitos das mudanças na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos causados por fatores diretos, como as mudanças climáticas e no uso da terra, e indiretos, como econômicos e sociopolíticos.

Um dos obstáculos dos modelos apontada por Ninan é o relativo nível de incerteza, devido à limitação de dados, à representação de processos e à resolução da escala dos ecossistemas.

“A incerteza está associada à ciência. Os formuladores de políticas públicas precisam tomar decisões mesmo diante da incerteza para agir e impulsionar a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade”, disse. 

Participação de órgãos governamentais

Além de alunos vinculados a universidades e instituições de pesquisa no Brasil e no exterior, também participam da Escola pesquisadores vinculados a órgãos governamentais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e as secretarias da Agricultura e de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sima).

“Estamos na fase final de elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado de São Paulo e um dos temas com o qual estamos lidando é a integração da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. A realização da Escola coincidiu com essa fase do projeto e decidi participar para poder avançar nessa questão”, disse Marco Aurélio Nalon, pesquisador na área de geoprocessamento do Instituto Florestal, vinculado à Sima.

O Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) é um instrumento de legislação ambiental e urbana que estabelece medidas e padrões de proteção ao meio ambiente, visando assegurar a conservação da biodiversidade, a qualidade ambiental, dos recursos hídricos e do solo, e garantir, ao mesmo tempo, o desenvolvimento sustentável da economia e a melhoria da qualidade de vida da população.

Uma lei federal estabeleceu que todos os estados brasileiros devem elaborá-lo até 2020. Em São Paulo, a elaboração do ZEE é capitaneada pela Sima.

Mais informações sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Cenários e Modelagem em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos: https://scenariosbes.wixsite.com/spsas-scenarios.
 

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