Maior serpente viveu na Colômbia | AGÊNCIA FAPESP

Com comprimento de um ônibus e peso de um automóvel, descoberta de parente extinta da jibóia implica que temperaturas na região eram mais elevadas do que as atuais (divulgação)

Maior serpente viveu na Colômbia

05 de fevereiro de 2009

Agência FAPESP – A maior serpente de todos os tempos viveu há cerca de 60 milhões de anos em uma região que atualmente faz parte da Colômbia. Tinha o comprimento de um ônibus e o peso de um automóvel e reinou alguns milhões de anos após a extinção dos dinossauros.

Atingia 13 metros de comprimento (o tamanho de um tiranossauro) e mais de 1 tonelada de peso e era uma parente maior da jiboia (Boa constrictor) atual, que raramente ultrapassa os 3 metros.

“Serpentes realmente enormes atiçam a imaginação popular, mas a realidade é muito diferente da fantasia. Neste caso, temos o contrário. A serpente que tentou devorar Jennifer Lopez no filme Anaconda é menor do que a que descobrimos”, disse Jonathan Bloch, do Museu de História Natural da Flórida, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo.

Jason Head, do Departamento de Biologia da Universidade de Toronto, no Canadá, e colegas do Panamá e Estados Unidos, analisaram o fóssil encontrado na formação Cerrejon, no nordeste da Colômbia.

Descrita na edição desta quinta-feira (5/2) da revista Nature, a descoberta da serpente traz outra implicação importante: a de que as temperaturas no período em que viveu eram mais quentes.

As dimensões da serpente indicam que as temperaturas próximas ao Equador eram mais elevadas do que as atuais, porque o tamanho de tais animais é limitado pelo seu metabolismo. Quanto mais calor, maiores as dimensões que tais répteis podem atingir.

De acordo com o novo estudo, seria preciso uma temperatura anual mínima de cerca de 32°C para que o gigantesco réptil sobrevivesse. Ou cerca de 4°C acima da média anual na região.

“Se olharmos para os animais de sangue frio e sua distribuição no planeta hoje, vemos que os maiores estão nos trópicos e que eles são cada vez menores à medida que nos afastamos do Equador”, disse o cientista.

A serpente ganhou o nome de Titanoboa cerrejonensis, por conta de seu tamanho (“titã”) e do local em que foram descobertos esqueletos parciais fossilizados.

Os pesquisadores também encontraram muitos esqueletos de tartarugas gigantes e de parentes extintos dos atuais crocodilos que provavelmente serviam de alimento para a serpente gigante.

“Até então tínhamos uma compreensão muito limitada de como era a vida na América do Sul tropical de 65 milhões de anos a 55 milhões de anos atrás. Agora, temos uma janela no tempo logo após a extinção dos dinossauros e podemos conhecer como eram os animais que os substituíram”, disse Head.

O artigo Giant boid snake from the Palaeocene neotropics reveals hotter past equatorial temperatures, de Jason Head e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
 

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