Livro destaca a biodiversidade da baía do Araçá | AGÊNCIA FAPESP

Livro destaca a biodiversidade da baía do Araçá Livro Vida na Baía do Araçá: diversidade e importância foi lançado no dia 5 de agosto, na FAPESP (foto: Leandro Negro/FAPESP)

Livro destaca a biodiversidade da baía do Araçá

07 de agosto de 2015

Elton Alisson | Agência FAPESP – Foi lançado na quarta-feira (05/08), na FAPESP, o livro Vida na Baía do Araçá: diversidade e importância. A publicação, distribuída gratuitamente, é resultado do Projeto Temático “Biodiversidade e funcionamento de um ecossistema costeiro subtropical: subsídios para gestão integrada”, realizado no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP.

O projeto envolveu cerca de 170 participantes, entre pesquisadores, técnicos e estudantes de graduação e de pós-graduação, vinculados a 35 instituições de ensino e pesquisa, do Brasil e do exterior, com o intuito de estudar o funcionamento em termos sistêmicos – levando em conta os processos físicos, biológicos e sociais – da baía do Araçá, localizada na parte central do Canal de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo (saiba mais sobre o projeto: agencia.fapesp.br/18668).

“Em 2011, foi dito que a baía do Araçá estava morta. Isso nos impulsionou a estudar a baía e constatar que a cada dia ela está mais viva”, disse Antônia Cecília Zacagnini Amaral, professora do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do projeto, durante o lançamento do livro.

De acordo com a pesquisadora, apesar de pequena, com uma área de cerca de 500 mil metros quadrados – equivalente a mais de 49 campos de futebol –, a baía do Araçá apresenta uma alta diversidade biológica.

Com base na análise de apenas 60% do material coletado durante o projeto – iniciado em 2012 e com término previsto para este ano –, os pesquisadores já identificaram mais de 1,3 mil táxons (tipos de organismos) na baía e região adjacente.

Entre esses táxons estão uma nova família, cinco gêneros e 30 espécies de animais bentônicos – que vivem incrustados em substratos, como rochas e algas (saiba mais em: agencia.fapesp.br/20476).

“A baía do Araçá possui uma alta diversidade de espécies porque conta com uma grande variedade de ambientes”, afirmou Amaral.

“A baía tem uma planície de maré extensa, que avança para dentro do canal, e também possui costão, praia, sublitoral e é um dos últimos remanescentes de manguezal entre Bertioga e Ubatuba. Todos esses ambientes estão sendo estudados durante o projeto”, contou.

Segundo os autores do livro, ao longo de seus três anos de desenvolvimento, o projeto gerou mais informações sobre a baía do Araçá do que o conjunto de estudos realizados na região entre as décadas de 1950 e 2010.

Em 50 anos de pesquisa na baía, que leva o nome da Myrtaceae, fruta da espécie P. Cattleianum, da família do jambo, muito abundante na Mata Atlântica, tinham sido descritas pouco mais de 700 espécies noa Araçá, sendo 34 espécies novas e nove ameaçadas de extinção

“O número de espécies que identificamos durante o projeto, que inclui peixes, aves e plâncton, é muito significativo e deve aumentar porque as análises estão em andamento”, afirmou Amaral.

Ecossistema ameaçado

A baía do Araçá é um importante reduto de pescadores artesanais, que utilizam pequenas canoas caiçaras para pesca e transporte, e tem uma grande importância local e regional, ressaltam os autores do livro.

Devido à proximidade da área urbana, o conjunto de ambientes da baía está, há muitos anos, exposto a diversos tipos de ações humanas, como ocupações irregulares, efluentes domésticos, além de ser impactado pelo Porto de São Sebastião e pelo Terminal Marítimo Almirante Barroso (Tebar) – um dos mais importantes terminais petrolíferos do Brasil.

Uma das conclusões do projeto é que houve uma degradação das características naturais da baía, influenciada diretamente pela realização de obras como a ampliação do Porto de São Sebastião nas décadas de 1970 e 1980, e a construção do Emissário Submarino do Araçá, na década de 1990.

Os resultados das análises já realizadas pelos pesquisadores revelaram que, apesar dessas mudanças, a baía permanece rica e diversa no que diz respeito à presença de organismos marinhos, que são de grande importância para a prática da pesca artesanal.

“O projeto de pesquisa sobre a baía do Araçá sintetiza as diferentes vertentes do programa BIOTA-FAPESP, que inclui produção acadêmica, formação e treinamento de mestres e doutores, tradução dos resultados dos projetos apoiados para a sociedade e a utilização desses resultados para o aperfeiçoamento de políticas públicas”, disse Carlos Joly, professor da Unicamp e coordenador do programa BIOTA-FAPESP, no lançamento do livro.

“Há um conjunto de obras que estão acontecendo na região da baía do Araçá e que, obviamente, têm impactos sobre aquele ecossistema”, avaliou.

Habitats bentônicos

Durante a sessão de lançamento do livro também foi lançada oficialmente a publicação “Protocolos para o monitoramento de habitats bentônicos costeiros”.

Em formato e-book e com acesso gratuito, a obra, elaborada por pesquisadores da Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos), apresenta propostas metodológicas para o monitoramento contínuo e de longo prazo de habitats de organismos que vivem nos substratos marinhos, como algas e corais, no litoral brasileiro (saiba mais em: agencia.fapesp.br/21599).

“O livro é resultado de um esforço coletivo de mais de 160 pesquisadores, vinculados a mais de 40 instituições de pesquisa de estados costeiros brasileiros, de tentar começar a estabelecer séries temporais e de longa duração de monitoramento de habitats bentônicos costeiros, para tentarmos entender os impactos das mudanças climáticas globais na região costeira e monitorarmos esses ecossistemas de forma padronizada”, disse Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) e um dos organizadores da publicação.

Vida na Baía do Araçá: diversidade e importância
Organizadores: Antônia Cecília Zacagnini Amaral, Alexander Turra, Aurea Maria Ciotti, Carmen Lúcia Del Bianco Rossi Wongtschowski e Yara Schaeffer-Novelli
Lançamento: 2015
Distribuição gratuita
Páginas: 100

Protocolos para o Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros
Organizadores: Alexander Turra e Márcia Regina Denadai
Lançamento: 2015
Distribuição gratuita
Páginas: 258

Mais informações: www.rebentos.org


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