Glaci Zancan morre aos 72 anos | AGÊNCIA FAPESP

Glaci Zancan morre aos 72 anos

02 de julho de 2007

Agência FAPESP – Glaci Theresinha Zancan, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), morreu na tarde de sexta-feira (29/6), aos 72 anos.

A pesquisadora, que tinha esclerose lateral amiotrófica, foi velada em Florianópolis no sábado e cremada em Curitiba na manhã seguinte. Tinha larga experiência na área de bioquímica, com ênfase em bioquímica de microrganismos. Em 2000, recebeu do governo federal a Ordem do Mérito Ciéntífico, na categoria Grã-Cruz.

Glaci, que iniciou carreira na UFPR em 1960, trabalhou na instituição até se aposentar, em 2003. Graduou-se e fez doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. O pós-doutorado foi feito na Universidade de Buenos Aires, na Argentina, quando trabalhou com Luiz Frederico Leloir, prêmio Nobel de Medicina de 1970.

Foi também chefe do Departamento de Bioquímica e co-fundadora e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Bioquímica da UFPR, no qual formou 24 mestres e doutores. Ocupou a vice-presidência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 1995 a 1999, e a presidência, de 1999 a 2003.

Entre os temas trabalhados pela professora na SBPC estão a universalização da pesquisa nas universidades brasileiras, a rigorosa análise de mérito dos projetos por pares competentes, a profissionalização do docente universitário e a valorização do trabalho e da competência nas instituições de pesquisa e universidades.

Glaci foi presidente e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq) e membro do Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de 2005 a 2007. Presidiu a Comissão do Plano Nacional de Pós-Graduação, também na Capes, e coordenou a Escola Brasileiro-Argentina de Biotecnologia.

Em julho de 2003, na 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Recife, Glaci Zancan, gaúcha de São Borja que não se casou e nem teve filhos, concedeu uma entrevista exclusiva à Agência FAPESP.

Então presidente da instituição, ela falou sobre suas principais conquistas à frente da SBPC, defendeu uma reforma radical nas universidades brasileiras e apresentou propostas para descentralizar a pesquisa no país.

"A professora Glaci deu enorme contribuição ao desenvolvimento da ciência no Brasil como cientista e como liderança acadêmica respeitada, que sempre soube aliar a efetiva ação política com elevados referenciais acadêmicos", disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

O poeta Carlos Vogt, presidente da Fundação e vice-presidente da SBPC quando Glaci era presidente, deixou um poema em homenagem à amiga.


Glaci

Que triste notícia
que notícia triste
se espalha na tarde
da desolação.
Amamos Glaci
todos que amamos Glaci
olhamos para a tarde
comum corriqueira
corrida no dia que vai
recomeça para sempre
contínuo na frágil
amiga segura
leal
pesquisadora insistente
atrás da verdade
por trás do banal
querida Glaci
eletrizante
elétrica
pequena guerreira
que grande mulher!

Carlos Vogt


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