FAPESP e Conselho de Pesquisa da Noruega assinam acordo para pesquisa | AGÊNCIA FAPESP

FAPESP e Conselho de Pesquisa da Noruega assinam acordo para pesquisa José Goldemberg, presidente da FAPESP, e Arvid Hallén, diretor do RCN, assinam Memorando de Entendimento que permitirá o financiamento de projetos pelos próximos cinco anos (foto: Leandro Negro/Agência FAPESP)

FAPESP e Conselho de Pesquisa da Noruega assinam acordo para pesquisa

21 de setembro de 2016

Karina Toledo  |  Agência FAPESP – Com o objetivo de fomentar a colaboração entre cientistas paulistas e noruegueses, a FAPESP e o Conselho de Pesquisa da Noruega (RCN, na sigla em inglês) assinaram ontem (21/09) um Memorando de Entendimento que permitirá o financiamento conjunto de projetos de pesquisa pelos próximos cinco anos.

O documento foi assinado por José Goldemberg, presidente da FAPESP, e por Arvid Hallén, diretor do RCN, durante a abertura do seminário “Energy for the future”, realizado na sede da Fundação. Durante o evento, foram destacados temas de pesquisa de interesse para os dois países, que poderão ser a base para futuras chamadas de propostas.

“Identificar os pontos de interesse comum na área de energia e expandir a colaboração científica entre os dois países é o propósito deste encontro. Ambos temos a hidroeletricidade como principal fonte de energia, por exemplo”, disse Goldemberg.

Para a embaixadora da Noruega no Brasil, Aud Marit Wiig, é mais fácil encontrar pontos de divergência entre Brasil e Noruega do que similaridades – exceto no que se refere ao tema energia. “São países muito diferentes em aspectos como geografia e população. Mas no campo da energia encontramos compatibilidade. Somos grandes produtores de petróleo e gás natural, temos a hidroeletricidade como principal fonte e ambos reconhecemos a necessidade imperativa de desenvolver novas fontes renováveis para atender à demanda das próximas gerações”, comentou.

Na avaliação de Wiig, somente com o investimento em fontes de energia renovável será possível alcançar as metas ambiciosas do Acordo de Paris – o novo pacto climático mundial adotado por 195 países que participaram, em 2015, da 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21).

“E aqui está outra similaridade: ambos os países estão entre os primeiros a ratificar a convenção”, destacou.

Ainda durante a cerimônia de abertura do seminário, o ministro de Educação e Pesquisa da Noruega, Torbjørn Røe Isaksen, afirmou que o governo de seu país tem interesse em uma parceria de longa duração com o Brasil – tanto em termos de pesquisas acadêmicas como ensino superior, negócios e indústria.

“Uma das áreas óbvias de colaboração entre os dois países é a energia para o futuro. Precisamos cumprir uma difícil tarefa: gerar energia para permitir o crescimento econômico e tirar pessoas da pobreza e, ao mesmo tempo, tentar honrar da melhor forma possível os compromissos do Acordo de Paris. Isso exigirá uma transformação em nossas economias, que não será possível sem investimentos em pesquisa e educação de classe mundial. Não é uma missão que um país consiga fazer sozinho. Há necessidade de cooperar com comunidades científicas líderes em todo o mundo. Esta é uma das razões pelas quais estamos aqui”, disse.

Isaksen reforçou que, além da colaboração em projetos de pesquisa, o governo da Noruega tem interesse em fomentar parcerias no ensino superior, como cursos conjuntos, e aumentar a mobilidade de estudantes e professores de ambos os países.

Alta taxa de sucesso

O diretor do RCN destacou que o Memorando de Entendimento assinado com a FAPESP abre possibilidade para financiamento de projetos em todas as áreas do conhecimento. No entanto, ele mencionou temas com maior potencial de colaboração: energia renovável, mudanças climáticas, meio ambiente, bioeconomia e produção de alimentos.

Hallén também ressaltou que desde 2008 tem havido um crescimento expressivo no número de projetos colaborativos entre pesquisadores brasileiros e noruegueses.

“Nas áreas em que trabalhamos juntos fomos bem-sucedidos. No Horizon 2020, o programa da União Europeia para pesquisa e inovação, a taxa de sucesso das propostas feitas por parceiros noruegueses e brasileiros é de 43%, considerada bem alta. O Estado de São Paulo é a região mais importante do Brasil em termos de pesquisa e a FAPESP uma das mais importantes instituições da área no país. Acredito que o memorando que assinamos hoje pode ser um veículo para ampliar a colaboração entre as duas agências e aumentar essa taxa de sucesso”, disse.

Já o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, afirmou, que além dos temas mencionados por Hallén, espera receber propostas também de áreas como ciências sociais e saúde.

“Nos últimos anos, uma parte relevante da estratégia da FAPESP para desenvolver a ciência e a tecnologia em São Paulo tem sido buscar oportunidade de colaboração entre cientistas paulistas e colegas de outros países. Claro que a Noruega é um parceiro relevante para nós e o acordo que assinamos hoje certamente abrirá inúmeras possibilidades”, disse.

Para Brito Cruz, há muito “terreno comum” entre as duas nações. Como exemplo, ele ressaltou iniciativas financiadas pela FAPESP na área de energia, como é o caso do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural, iniciativa em parceria como o Grupo BG/Shell.

Em seguida, representantes das principais universidades dos dois países apresentaram as iniciativas de suas instituições no setor de energia. Participaram da seção Gunnar Bovim, reitor da Norwegian University of Science and Technology; Ole Petter Ottersen, reitor da University of Oslo; Dag Rune Olsen, reitor da University of Bergen; Mari Sundli Tveit, reitora da Norwegian University of Life Sciences; José Eduardo Krieger, pró-reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP); e Cecilia Laluce, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara.

O evento também reuniu especialistas em energia da Noruega e do Brasil em painéis sobre temas como “A evolução da paisagem energética e das fontes de energias renováveis" e “Novos usos para tecnologias de petróleo e gás”.
 

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