Crescer para não ser devorado | AGÊNCIA FAPESP

A estratégia de sobrevivência do pacato hipacrossauro era crescer até cinco vezes mais rápido do que predadores como o tiranossauro (divulgação)

Crescer para não ser devorado

06 de agosto de 2008

Agência FAPESP – Com comportamento pacato e carne macia, o hipacrossauro era uma das presas favoritas dos temidos predadores do Cretáceo. Mas um novo estudo mostra que o dinossauro herbívoro contava com uma característica peculiar que garantia uma boa estratégia de sobrevivência: a velocidade de crescimento.

Uma pesquisa feita a partir de ossos dos animais pré-históricos comparou a taxa de crescimento do hipacrossauro com as de três predadores: dois tiranossauros (o albertossauro e o rex) e o troodon, parecido com o velociraptor.

O estudo foi feito por Drew Lee, da Universidade de Ohio, e por Lisa Noelle Cooper, da Universidade Estadual Kent, nos Estados Unidos, e publicado nesta terça-feira (5/8) na edição on-line da Proceedings of the Royal Society of London B: Biological Sciences.

Segundo o trabalho, o hipacrossauro, um tipo de hadrossauro, crescia muito mais rapidamente do que os inimigos. Enquanto os tiranossauros levavam de 20 a 30 anos para chegar à idade adulta, o dinossauro de bico de pato precisava de apenas 10 anos para atingir cerca de 9 metros de comprimento e 4 toneladas.

“O hipacrossauro crescia de três a cinco vezes mais rápido do que qualquer predador potencial que viveu em sua época. No momento em que havia completado seu crescimento, o tiranossauro ainda estava na metade do tamanho, o que representava uma grande diferença”, disse Lee.

O dinossauro de bico de pato também atingia a maturidade sexual muito mais cedo, com apenas dois ou três anos de idade. “Isso é uma grande vantagem com relação aos predadores: se você consegue manter a reprodução, está feito”, disse Lisa.

Segundo os autores do estudo, o crescimento acelerado era uma resposta evolucionária à pequena capacidade de defesa contra os predadores. O mesmo componente de superar o caçador em tamanho pode ser observado em espécies de peixes, aves, borboletas e salamandras. “É um padrão que parece ser prevalente na história evolucionária”, disse a pesquisadora.

Proceedings of the Royal Society of London B: Biological Sciences: http://journals.royalsociety.org/content/102024

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