Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas, dos EUA, inaugura nova versão de um supersistema para estudar o clima do planeta (foto: NCAR)

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Previsão do tempo para os próximos 100 anos

28/06/2004
Agência FAPESP - O Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas (NCAR), dos Estados Unidos, está colocando em funcionamento a nova versão de um sistema para modelar o clima terrestre e projetar o aumento da temperatura global para o próximo século.

Os resultados serão utilizados pelo Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas, montado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep) para aconselhar tomadores de decisão a respeito dos impactos promovidos pelas mudanças climáticas.

O sistema, conhecido como CCSM3 (de Community Climate System Model, versão 3), indicou, ainda na fase de testes, que as temperaturas globais estão subindo mais do que a versão anterior havia previsto. A situação pode piorar se os países continuarem a emitir grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera, segundo comunicado da National Science Foundation (NSF).

O CCSM3 mostrou que as temperaturas poderão aumentar em 2,6 graus Celsius em um cenário hipotético, no qual os níveis atmosféricos de dióxido de carbono dobrassem. A versão anterior, o CCSM2, havia calculado o aumento em tal situação em 2 graus Celsius.

"O novo modelo permite uma melhor precisão das simulação de processos atmosféricos, oceânicos e terrestres", disse William Collins, líder do desenvolvimento do sistema na NCAR. "Na fase de testes ele esteve excelente ao reproduzir o clima do último século e agora vamos partir para o estudo do clima nos próximos cem anos."

Além de simular a temperatura para o próximo século, os pesquisadores continuarão usando o novo sistema para estudar padrões climáticos do passado, como o auge da última glaciação, há cerca de 21 mil anos.

Uma constante nos mais poderosos modelos climáticos em funcionamento no mundo é a importância dos efeitos do dióxido de carbono. Medidas feitas em diversos países mostram que os níveis de CO2 na atmosfera aumentaram de 280 partes por milhão por volume (ppmv) antes da Revolução Industrial, para os atuais 370 ppmv. E o número não pára de crescer.

O CCSM3 reúne o uso de um supercomputador com programas altamente complexos que conseguem lidar com fenômenos que vão dos efeitos de erupções vulcânicas nos padrões de temperatura ao impacto das placas de gelo flutuantes na quantidade de luz solar absorvida pelos oceanos.

O novo sistema é tão complexo que exige cerca de 3 trilhões de cálculos para simular um único dia do clima global. Com o CCSM3, os cientistas poderão adicionar quatro vezes mais localidades, tanto na superfície terrestre quanto na atmosfera, em relação à versão anterior.

A NSF, agência de fomento do governo norte-americano, financiou o projeto junto com o Departamento de Energia, a agência espacial Nasa e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). O sistema foi desenvolvido pela NCAR com a colaboração de cientistas de diversas universidades e centros de pesquisa do país. Os dados serão divulgados, assim como os códigos dos programas de computador utilizados, para pesquisadores atmosféricos de todo o mundo.


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