Pesquisa publicada na The Lancet aponta que a doença é responsável por quase o dobro de mortes do que indica o World Malaria Report 2011 da OMS (Wikimedia)

Revistas Científicas

Malária mata 1,2 milhão por ano

03/02/2012

Agência FAPESP – Uma nova pesquisa publicada na revista The Lancet aponta que a malária é responsável pela morte de 1,2 milhão de pessoas ao ano em todo o mundo, quase o dobro do que se estimava anteriormente.

Outra conclusão é que, apesar de se achar que a doença infecciosa mata basicamente crianças pequenas, o estudo mostra que quase metade das mortes (42%) foi em crianças mais velhas e em adultos.

A boa notícia é que as intervenções adotadas na última década para tentar conter a transmissão têm contribuído para diminuir a mortalidade da malária.

Destacado no editorial da The Lancet, o estudo foi coordenado pelo professor Christopher Murray, da Universidade de Washington, em Seattle, Estados Unidos, cuja equipe coletou dados disponíveis sobre a doença de 1980 a 2010.

O resultado de 1,2 milhão de mortes para 2010 é quase duas vezes o total descrito no World Malaria Report 2011, divulgado em dezembro pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estimou em 655 mil o total de óbitos no ano atribuídos à doença.

A nova pesquisa verificou que de 1980 a 2010 o total de mortes aumentou de 1 milhão em 1980 para o máximo de 1,8 milhão em 2005. O aumento se deve, segundo os autores, à elevação na mortalidade e no aumento da população com risco de ser contaminada.

Apesar do número elevado, o 1,2 milhão de mortes em 2010 representam uma queda de 32% desde 2004. A situação é mais crítica na África, com 700 mil mortes pela doença em crianças com menos de 5 anos em 2010. Mas os adultos têm sido muito atingidos. O estudo indica que um terço das mortes atribuídas à malária em 2010 ocorreu em adultos.

Na comparação com o relatório da OMS, o estudo indica 1,3 vez mais mortes por crianças com menos de 5 anos e 8,1 vezes mais para crianças mais velhas na África e 1,8 vez a mais para pessoas de todas as idades no resto do mundo.

“Aprendemos nas escolas de medicina que pessoas expostas à malária enquanto crianças desenvolvem imunidade e raramente morrem por causa da doença quando crescem. Mas verificamos em registros de hospitais, de óbitos e de outras fontes que analisamos que a situação é outra”, disse Murray.

De acordo com a OMS, causada por cinco espécies de parasita do gênero Plasmodium que afetam humanos, a malária devida ao P. falciparum é a mais letal e predomina na África. De acordo com a organização, 91% das mortes em 2010 devidas à doença ocorreram no continente africano.

O artigo Global malaria mortality between 1980 and 2010: a systematic analysis (Lancet 2012; 379: 413–3), de Christopher Murray e outros, pode ser lido por assinantes da The Lancet em www.thelancet.com.

 

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