Instituto de Pesquisas Tecnológicas adquire três novos equipamentos para diagnóstico da condição biológica e risco de queda de árvores. Pesquisadores adaptaram tecnologias às espécies nativas (Foto: IPT)

Tomografia verde

Instituto de Pesquisas Tecnológicas adquire três novos equipamentos para diagnóstico da condição biológica e risco de queda de árvores. Pesquisadores adaptaram tecnologias às espécies nativas

14 de janeiro de 2011
Tomografia verde

Instituto de Pesquisas Tecnológicas adquire três novos equipamentos para diagnóstico da condição biológica e risco de queda de árvores. Pesquisadores adaptaram tecnologias às espécies nativas

14 de janeiro de 2011

Instituto de Pesquisas Tecnológicas adquire três novos equipamentos para diagnóstico da condição biológica e risco de queda de árvores. Pesquisadores adaptaram tecnologias às espécies nativas (Foto: IPT)

 

Agência FAPESP – Três equipamentos recém-chegados ao Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) prometem trazer informações mais precisas no diagnóstico de árvores quanto à sua condição biológica e ao risco de queda.

Os tomógrafos por impulso e por impedância elétrica e o pulling test (vulgarmente conhecido como “puxômetro”) foram adquiridos dentro do projeto de modernização do Instituto e seguem as atuais tendências de execução de ensaios não destrutivos em árvores.

Os dois tomógrafos têm como função a detecção de deteriorações e cavidades em árvores, mas operam de maneiras distintas. O modelo por impulso executa a medição do “tempo de voo” do sinal gerado por um martelo eletrônico, que é transmitido/recebido por sensores instalados ao redor da circunferência do tronco e varia de acordo com o módulo de elasticidade (MOE) e a densidade da própria madeira.

Os dados coletados são inseridos em um software para o cálculo das velocidades sônicas aparentes e o desenho do mapa da árvore, com imagens em 3D para o diagnóstico de deteriorações e outros defeitos internos.

“Quanto mais alta a velocidade da onda sônica que percorrer o lenho, ou seja, o tempo de propagação entre dois pontos da árvore, maior será a resistência da madeira”, de acordo com Takashi Yojo, pesquisador do Laboratório de Madeira e Produtos Derivados do IPT.

“Em outras palavras, a velocidade será alta se a madeira estiver em boas condições, e baixa caso haja um apodrecimento, rachadura ou fissura na árvore”, disse.

O segundo tomógrafo, por impedância elétrica, irá permitir a obtenção de informações sobre as propriedades químicas da madeira, como teor de umidade, estrutura das células e concentração iônica. O modelo faz uso da corrente elétrica para verificar alterações provocadas pela deterioração em tais características, e traz como resultado um mapa bi e tridimensional sobre o atual estado de resistência da árvore.

“Quando o lenho está seco, a corrente demora a passar porque a resistência elétrica está elevada, enquanto na madeira verde a energia circula com facilidade”, exemplificou Yojo.

Para a execução dos ensaios, os dois modelos podem contar com o auxílio de um compasso de calibre, ferramenta que determina as posições dos pontos de medição e é particularmente útil em árvores de grandes dimensões ou de estruturas irregulares.

Os resultados combinados dos dois tomógrafos irão oferecer informações mais precisas sobre os tipos e as localizações dos problemas nas árvores.

De acordo com informações do IPT, o principal equipamento disponível atualmente para o diagnóstico das árvores no Instituto é o penetrômetro, que permite avaliar a perda de resistência mecânica do lenho e a presença de organismos no interior da árvore.

No entanto, embora o equipamento não seja destrutivo, é invasivo: ele possui uma broca com diâmetro de 0,9 mm que penetra na árvore e fornece respostas somente na linha de passagem da ferramenta.

Mais completos e precisos, os novos ensaios com os tomógrafos permitirão um rastreamento da seção transversal e também em 3D, além de irem ao encontro das atuais tendências em ensaios não destrutivos.

Segundo o IPT, o rompimento na maioria das árvores ocorre na região do colo, na transição entre raiz e tronco, assim, o penetrômetro consegue detectar grande parte dos problemas.

Terceiro equipamento adquirido, o pulling test é usado para obter informações sobre a estabilidade no tronco e nas raízes. Para a execução do ensaio, uma carga será exercida na espécie a ser analisada com uma manivela e um cabo de aço; a reação da árvore submetida ao stress sob esta carga será medida por inclinômetro e elastômetro, que avaliarão a carga de ruptura e as propriedades mecânicas do lenho.

As informações fornecidas pelos três novos equipamentos servirão ainda para ampliar os parâmetros do modelo de cálculo estrutural, desenvolvido em 2004 pelo IPT para a análise de risco de queda de árvores. Um dos principais gargalos da ferramenta é a avaliação das propriedades da raiz, que sofre modificações na interação com o solo.

Para adaptar os equipamentos fabricados na Alemanha às demandas da biodiversidade brasileira, as equipes dos pesquisadores dos dois laboratórios estão criando parâmetros para o uso das novas tecnologias em espécies nativas.

Mais informações: www.ipt.br/noticia/288-tomografia_verde.htm
 

  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.