A partir de dados enviados pela sonda Cassini, cientistas confirmam a existência de líquido acumulado na superfície de Titã, único satélite do Sistema Solar com atmosfera de características semelhantes à terrestre (divulgação)

Lua de Saturno tem lagos
04 de janeiro de 2007

A partir de dados enviados pela sonda Cassini, cientistas confirmam a existência de líquido acumulado na superfície de Titã, único satélite do Sistema Solar com atmosfera de características semelhantes à terrestre

Lua de Saturno tem lagos

A partir de dados enviados pela sonda Cassini, cientistas confirmam a existência de líquido acumulado na superfície de Titã, único satélite do Sistema Solar com atmosfera de características semelhantes à terrestre

04 de janeiro de 2007

A partir de dados enviados pela sonda Cassini, cientistas confirmam a existência de líquido acumulado na superfície de Titã, único satélite do Sistema Solar com atmosfera de características semelhantes à terrestre (divulgação)

 

Agência FAPESP - Agora não há mais dúvidas: Titã tem líquidos em sua superfície. Graças aos dados obtidos pela sonda Cassini, um grupo de 38 cientistas de diversos países descobriu a existência de lagos na maior lua de Saturno.

Titã tem diversas semelhanças com a Terra, como atmosfera densa (com pressão 50% maior do que a terrestre) e com a presença de nitrogênio como componente mais comum. Há décadas suspeitava-se que o segundo maior satélite do Sistema Solar (depois de Ganimedes, em Júpiter) tivesse líquidos em sua superfície, o que nunca foi possível observar devido aos gases em sua atmosfera.

A compreensão do satélite mudou radicalmente desde que passou a ser orbitado pela sonda Cassini, em 2004. Mas um artigo publicado em maio do ano passado, na revista Science, jogou um balde de água fria nos estudiosos do Sistema Solar. O estudo confirmou a descoberta de mares não de líquidos, mas de areia. Agora, outra pesquisa, destaque da nova edição da Nature, faz de Titã de novo a bola da vez.

As mais de 75 formações encontradas em altas latitudes setentrionais (de 70º a 83º) não são de água, como na Terra, mas provavelmente de metano, o segundo composto mais abundante no satélite. Os resultados indicam que o composto tem papel semelhante ao da água na Terra, com o líquido evaporando, condensando e formando chuvas ou subindo à superfície a partir de reservatórios no subsolo. Com isso, outro lugar no Sistema Solar, além da Terra, teria um ciclo "hidrológico" – no caso de Titã, baseado em metano.

"Alguns dos lagos não preenchem completamente as depressões onde se encontram e há aparentemente depressões secas. Interpretamos isso como indicação de que os lagos estão presentes em estados diversos", escreveram os autores no artigo.

"As observações, aliadas ao fato de que os lagos foram encontrados ao norte, indicam que as formações se expandem durante o inverno e diminuem no verão, em decorrência da maior evaporação", disse Christophe Sotin, da Universidade de Nantes, na França, em comentário sobre a descoberta na mesma edição da Nature.

As formações descobertas na superfície têm entre 3 e 70 quilômetros de diâmetro. Os dados usados para o estudo foram colhidos pela Cassini em julho de 2006, durante o inverno no satélite, que ainda continua – Titã leva 29,5 anos para completar uma órbita em torno do Sol.

"Os resultados do estudo se somam às evidências de que Titã é um mundo complexo no qual a interação entre as camadas internas e externas é controlada por processos similares aos que devem ter dominado a evolução de qualquer planeta parecido com a Terra", disse Sotin. "De fato, até onde conhecemos, há apenas um corpo planetário com um dinamismo maior do que o de Titã. Seu nome é Terra."

A missão Cassini-Huygens é parceria entre as agências espaciais norte-americana (Nasa), européia (ESA) e italiana (ASI). A sonda está na metade de sua missão e tem ainda previstos 22 sobrevôos sobre a superfície de Titã, que devem ajudar os cientistas a descobrir outras novidades sobre o satélite. Caso a Cassini continue operando com eficiência após o período previsto inicialmente, a missão deverá continuar.

O artigo The lakes of Titan, de Ellen Stofan e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.


  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.