Projeto de Lei de Biossegurança proíbe clonagem terapêutica e mobiliza cientistas (foto: ACT)

Lei polêmica

Projeto de Lei de Biossegurança restringe poder da CTNBio, proíbe clonagem terapêutica e mobiliza cientistas, incendiando o debate sobre transgênicos no país. Leia na reportagem de capa da nova edição de Pesquisa FAPESP

10 de março de 2004
Lei polêmica

Projeto de Lei de Biossegurança restringe poder da CTNBio, proíbe clonagem terapêutica e mobiliza cientistas, incendiando o debate sobre transgênicos no país. Leia na reportagem de capa da nova edição de Pesquisa FAPESP

10 de março de 2004

Projeto de Lei de Biossegurança proíbe clonagem terapêutica e mobiliza cientistas (foto: ACT)

 

Por Claudia Izique, da revista Pesquisa FAPESP

O projeto de Lei de Biossegurança nº 2.401, de 2003, que deveria substituir a legislação atual e definir regras claras para a pesquisa e comercialização de organismos geneticamente modificados (OGMs), incendiou o debate sobre transgênicos no país.

O texto aprovado na Câmara dos Deputados, no dia 5 de fevereiro, que agora tramita no Senado Federal, cria o Sistema de Informação de Biossegurança para a gestão das atividades que envolvam transgênicos e o Fundo de Incentivo ao Desenvolvimento da Biotecnologia para Agricultores Familiares, destinado a financiar projetos na área de biotecnologia e engenharia genética implementados por instituições públicas, que aprimoram a legislação atual. Mas é polêmico em pelo menos dois aspectos: atribui a um conselho de ministros a palavra final sobre a comercialização de organismos geneticamente modificados e proíbe as pesquisas com células-tronco para fins terapêuticos.

Em relação ao primeiro aspecto controverso, os cientistas querem que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) seja a única e definitiva instância para avaliar tanto as atividades de pesquisa como a comercialização dos transgênicos.

"É fundamental para o desenvolvimento nacional que as pesquisas oriundas das instituições públicas possam ser rapidamente incorporadas ao nosso setor produtivo, sob pena de a sociedade brasileira não poder usufruir dos investimentos em ciência e tecnologia no Brasil", dizem os representantes de 13 entidades científicas, entre elas a Academia Brasileira de Ciências, em carta encaminhada aos senadores no dia 18 de fevereiro.

O Conselho Superior da FAPESP também se manifestou. Em documento entregue ao presidente do Senado, José Sarney, pelo diretor-científico, José Fernando Perez, a Fundação "apela aos parlamentares para que ouçam os representantes acreditados da comunidade científica no sentido de transformar o texto da lei em instrumento de progresso e independência tecnológica, evitando assim danos irreparáveis aos mecanismos de geração de conhecimento e de riqueza".

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