Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP (no centro): pesquisas em agricultura receberam 10% dos recursos totais investidos pela FAPESP em 2025 (foto: Phelipe Janning/Agência FAPESP)
Liderada por Philippe Mauguin, delegação do Instituto Nacional de Pesquisa em Agricultura, Alimentação e Ambiente da França apontou como um dos temas de interesse a relação entre saúde e alimentação
Liderada por Philippe Mauguin, delegação do Instituto Nacional de Pesquisa em Agricultura, Alimentação e Ambiente da França apontou como um dos temas de interesse a relação entre saúde e alimentação
Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP (no centro): pesquisas em agricultura receberam 10% dos recursos totais investidos pela FAPESP em 2025 (foto: Phelipe Janning/Agência FAPESP)
Helo Reinert | Agência FAPESP – Uma delegação do Instituto Nacional de Pesquisa em Agricultura, Alimentação e Ambiente da França (Inrae), liderada pelo presidente da instituição, Philippe Mauguin, visitou a FAPESP no dia 6 de julho. O objetivo do encontro foi discutir temas de interesse comum para futuras chamadas de propostas conjuntas e outras estratégias para ampliar a cooperação entre pesquisadores de São Paulo e da França.
Segundo Mauguin, os interesses e prioridades de ambas instituições na área de agricultura coincidem. E dois temas são considerados estratégicos para o Inrae: a conexão entre a produção agrícola e o produto ofertado ao consumidor final, e o vínculo entre saúde e alimentação.
“São dois tópicos que podem gerar cooperação no futuro”, concordou Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.
Mauguin lembrou que esta é segunda visita que faz ao país visando estreitar laços com a comunidade científica do Estado de São Paulo. A primeira ocorreu em maio de 2024 e rendeu frutos. “Realizamos muitas publicações em parceria com pesquisadores da USP [Universidade de São Paulo], principalmente, mas também da Unicamp [Universidade Estadual de Campinas] e da Unesp [Universidade Estadual Paulista]”, contou.
O segundo desdobramento dessa aproximação é o trabalho, em cooperação com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), que busca estabelecer um centro de pesquisa focado em enfrentar desafios como as mudanças climáticas e a segurança alimentar.
“Para nós, essa é uma associação estratégica. O centro deverá combinar pesquisas sobre saúde planetária e agricultura. Essa é, provavelmente, a cooperação internacional com o mais elevado nível de engajamento do Inrae no mundo para o desenvolvimento de um programa operacional”, destacou o presidente do instituto francês. “Sem a FAPESP, não será possível. Agradeço por isso.”
São Paulo e a ciência
Segundo Zago, as pesquisas em agricultura receberam 10% dos recursos totais investidos pela FAPESP em 2025. A publicação de artigos científicos em cooperação com a França – que somou 1.700 no ano passado – evidencia esse investimento, com a área agrícola compondo 10% desses trabalhos.
“A estrutura dedicada ao ensino e à pesquisa sobre agricultura existente no Estado de São Paulo é muito robusta”, ressaltou o presidente da Fundação. Segundo ele, existem pelo menos 12 faculdades distribuídas entre USP, Unicamp e Unesp, cinco institutos estaduais e cinco unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de mais de uma dezena de empresas que promovem pesquisa e desenvolvimento em áreas relacionadas ao setor.
Zago destacou o papel da Fundação como incentivadora na formação de centros de pesquisa em áreas estratégicas. Entre eles, mencionou o Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), o Centro de Pesquisa Avançada de São Paulo para Controle Biológico (SPARCBio), o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital (Semear Digital) e o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA-Citros). Áreas como bioeconomia, economia circular e resiliência climática também foram mencionadas. “A FAPESP está olhando para o grande cenário do futuro agrossustentável”, afirmou.
Além da delegação do Inrae, participaram do encontro o reitor da USP, Aluísio Segurado, o presidente da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani), Carlos Gilberto Carlotti Júnior, e o diretor adjunto de Relações Acadêmicas Internacionais da universidade, Fernando Menezes.
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