O maior parque de floresta tropical do mundo nunca havia sido percorrido por cientistas. O conhecimento que está sendo gerado – que até então existia apenas por observação de imagens de satélites – será decisivo para construir políticas públicas eficazes de conservação ambiental na região amazônica. Esse inventário científico, liderado pela Conservação Internacional, é apenas a primeira de uma série de seis que serão feitos até 2005.
Depois de três dias pelo meio da floresta e de alguns contra-tempos, a equipe resolveu parar e montar acampamento. Eles estavam no município de Porto Grande, próximo à Serra do Navio. Segundo o herpetólogo Jucivaldo Dias, ele e mais dois assistentes conseguiram registrar 64 espécies nos igarapés e partes alagadas próximas: 24 de anfíbios, 22 de lagartos, 14 de serpentes, três de quelônios e uma de jacaré.
"Duas espécies de anfíbios podem ser novas para a ciência, mas precisamos de mais tempo para consultar vários especialistas e trabalhos de pesquisa antes de termos certeza", disse o cientista em comunicado da Conservação Ambiental.
A equipe que investigou mamíferos, liderada pela zoóloga Cláudia Silva, também conseguiu fazer um bom número de registros. Ao todo foram identificadas 75 exemplares, entre 29 morcegos, onças, capivaras e vários roedores e cervídeos. Segundo Cláudia, o encontro de cervídeos nas bordas das florestas é interessante pois esses animais são pouco citados na literatura científica brasileira.
O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque tem 3,8 milhões de hectares – área equivalente ao Estado do Rio de Janeiro – e está localizado no Escudo das Guianas, no noroeste do Amapá e cobrindo uma pequena parte no Pará. Criado em 2002, o parque constitui com outras 11 áreas protegidas o Corredor de Biodiversidade do Amapá, que compreende mais de 10 milhões de hectares e protege vários tipos diferentes de ecossistemas: mangues, cerrados, florestas tropicais, florestas de altitude e terras alagadas.
A próxima expedição pelo interior da floresta será realizada em novembro. Os cientistas dessa vez irão explorar a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, no sudoeste amapaense.
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