Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, com apoio da FAPESP, participaram do estudo (foto: Wikimedia Commons)

Equipe internacional consegue observação inédita de estrutura interna de jato de quasar

Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, com apoio da FAPESP, participaram do estudo

02 de janeiro de 2023
Equipe internacional consegue observação inédita de estrutura interna de jato de quasar

Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, com apoio da FAPESP, participaram do estudo

02 de janeiro de 2023

Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, com apoio da FAPESP, participaram do estudo (foto: Wikimedia Commons)

 

Agência FAPESP * – Um grupo internacional de cientistas publicou novas observações do primeiro quasar já identificado – conhecido como 3C 273, localizado na constelação de Virgem – que mostram as porções mais internas e profundas do proeminente jato de plasma do quasar.

Quasares são um dos tipos mais ativos e brilhantes dos buracos negros supermassivos encontrados no núcleo de quase todas as galáxias. Esses buracos negros supermassivos no centro das galáxias emitem jatos estreitos e incrivelmente poderosos de plasma, que escapa em velocidade próxima à da luz. Mas o processo de formação desses jatos ainda é um mistério para astrônomos e astrofísicos.

O novo estudo, publicado em artigo no periódico The Astrophysical Journal, inclui observações do jato do Quasar 3C 273 na maior resolução angular e na maior profundidade já obtidas em um buraco negro central e traz um novo entendimento sobre a colimação dos jatos, que é o processo no qual eles são concentrados em um feixe estreito e pode avançar por distâncias extremas, para muito além da área dominada pela gravidade do buraco negro e até mesmo escapando da galáxia hospedeira desse buraco. Os feixes supermassivos também têm influência na evolução galáctica.

O trabalho teve participação de pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), com financiamento da FAPESP.

“O 3C 273 tem sido estudado há décadas como o laboratório ideal mais próximo para jatos de quasar”, conta Hiroki Okino, autor principal do trabalho e doutorando na Universidade de Tóquio e no Observatório Astronômico Nacional do Japão. “No entanto, mesmo sendo um vizinho próximo, até recentemente não possuíamos uma visão nítida o suficiente para ver onde esse poderoso jato estreito de plasma é moldado.”

A imagem do jato do quasar 3C 273 dá aos cientistas a primeira visão das porções mais internas do jato de um quasar, onde ocorre a colimação e o estreitamento do feixe. A equipe também determinou que o ângulo do plasma fluindo do buraco negro é comprimido ao longo de uma distância muito extensa.

Uso de radioantenas

O trabalho foi possibilitado pelo uso coordenado de um conjunto de radioantenas ao redor do globo, combinando os instrumentos Global Millimeter VLBI Array (GMVA) e Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile. O GMVA e o ALMA foram conectados ao redor de continentes utilizando uma técnica chamada interferometria de longa linha de base (VLBI) para obter informações altamente detalhadas de fontes astronômicas distantes.

O astrofísico Ciriaco Goddi, que atualmente é pesquisador visitante no IAG, participou da equipe deste trabalho como responsável por observar, calibrar e analisar os dados do ALMA, em colaboração com o centro holandês do European ALMA Regional Centre (ARC) e o observatório do Haystack. “As novas imagens mostram o jato 3C 273 com um nível de detalhe nunca antes alcançado. Em particular, graças à combinação de GMVA e ALMA, podemos finalmente ter acesso à base desses poderosos jatos e investigar seus mecanismos de aceleração e colimação”, comenta Goddi.

Por meio do desenvolvimento de hardware e software para VLBI, os 66 radiotelescópios do ALMA foram transformados na estação de interferometria astronômica mais sensível do mundo. A obtenção de dados nesses comprimentos de onda aumenta significativamente a resolução e sensibilidade do conjunto.

Também foram feitas observações utilizando o High Sensitivity Array, para estudar o quasar 3C 273 em diferentes escalas, com o objetivo de medir a forma global do jato. Os dados desse estudo foram coletados em 2017, na mesma época em que as observações do Event Horizon Telescope (EHT) revelaram a primeira imagem de um buraco negro.

O novo estudo abre a possibilidade de novas explorações dos processos de colimação em outros tipos de buracos negros. Dados obtidos em frequências mais altas, como 230 e 345 GHz com o EHT, permitem que cientistas observem detalhes mais sutis em quasares e outros buracos negros.

*Com informações da Assessoria de Imprensa do IAG-USP.
 

  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.