Encontro com representantes do MAE-USP e ex-ministra dos Povos Indígenas na FAPESP, em 6 de julho (foto: Phelipe Janning/Agência FAPESP)

Povos indígenas
Encontro discute avanços do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas
24 de julho de 2026

Estiveram presentes na sede da FAPESP a ex-ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e representantes do Museu da Língua Portuguesa e do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP

Povos indígenas
Encontro discute avanços do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas

Estiveram presentes na sede da FAPESP a ex-ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e representantes do Museu da Língua Portuguesa e do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP

24 de julho de 2026

Encontro com representantes do MAE-USP e ex-ministra dos Povos Indígenas na FAPESP, em 6 de julho (foto: Phelipe Janning/Agência FAPESP)

 

Helo Reinert | Agência FAPESP – Representantes do Museu da Língua Portuguesa e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) apresentaram os avanços na estruturação do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas em uma reunião realizada na sede da FAPESP no dia 6 de julho.

A iniciativa lançada em maio de 2025 tem a missão de pesquisar, documentar e difundir a diversidade linguística e cultural dos povos originários do Brasil. Os trabalhos até o momento estão divididos em três frentes: as definições sobre a política de governança do repositório digital de livre acesso; as pesquisas colaborativas em diversas regiões e a seleção de coleções de instituições; e a difusão cultural, que se iniciou com a realização, em novembro passado, de um colóquio sobre a diversidade cultural e linguística da região do rio Oiapoque, que estabelece fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa.

Entre os participantes do encontro estavam o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, a ex-ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, a gestora do Museu da Língua Portuguesa, Renata Vieira da Motta, o vice-diretor do MAE, Camilo de Mello Vasconcellos, e Francy Baniwa, a primeira mulher Baniwa a integrar o corpo docente da USP, que também atua no MAE.

O presidente da FAPESP lembrou que a ideia de formação do centro nasceu de uma conversa com Guajajara durante um simpósio sobre as línguas indígenas da América do Sul, realizado em 2024 no Collège de France, em Paris. “Um ano depois, o centro foi criado e hoje podemos conversar sobre o desenvolvimento desse projeto”, disse Zago.

Segundo Guajajara, a presença indígena na universidade e em outros espaços, incluindo projetos de pesquisa, contribui para alterar a forma como a história é contada. “Até pouco tempo atrás, os indígenas só estavam na Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas] e na área da saúde indígena”, disse. “Estamos neste momento de promover muitas mudanças que nos conduzem ao reconhecimento e valorização das culturas dos povos indígenas.”

Políticas Públicas

O presidente da FAPESP destacou a importância dos projetos e programas de políticas públicas apoiados pela Fundação. “Nós estamos falando de projetos de pesquisa que pretendem oferecer resposta rápida e envolvem colaborações do mundo acadêmico, da sociedade e do governo”, disse. “O centro, que foca na valorização da diversidade cultural e étnica, na recuperação e preservação do nosso patrimônio cultural, na divulgação e educação, se encaixa nesse contexto.”

“É muito importante essas políticas públicas contarem com o apoio da FAPESP”, afirmou Vasconcellos. “O MAE continuará se abrindo para outros projetos de colaboração e de compartilhamento com os povos indígenas porque somente assim terá um significado e um papel junto à sociedade.” Segundo ele, depois do trágico incêndio do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, o MAE é o museu com o maior número de coleções indígenas.

Motta falou sobre a tarefa complexa que é definir as coleções que serão incorporadas ao repositório do novo centro. Por um lado, existem as que estão nos museus indígenas e, por outro, aquelas que serão constituídas a partir das pesquisas do grupo. A equipe pretende contar com a ajuda de representantes dos povos originários para escolher o que é mais importante.
 

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