A diversidade de propostas vai do design de compostos para computadores quânticos, passando por energias renováveis, vigilância epidemiológica e efeitos do racismo na saúde pública, até a produção de bioativos baseados na natureza (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Fomento à pesquisa
Chamada Projeto Inicial da FAPESP divulga trabalhos contemplados
25 de março de 2026

Foram selecionadas 36 propostas de cientistas com excelente potencial contratados há menos de oito anos em suas instituições; com duração de até cinco anos, as pesquisas vão abordar diversas áreas do conhecimento

Fomento à pesquisa
Chamada Projeto Inicial da FAPESP divulga trabalhos contemplados

Foram selecionadas 36 propostas de cientistas com excelente potencial contratados há menos de oito anos em suas instituições; com duração de até cinco anos, as pesquisas vão abordar diversas áreas do conhecimento

25 de março de 2026

A diversidade de propostas vai do design de compostos para computadores quânticos, passando por energias renováveis, vigilância epidemiológica e efeitos do racismo na saúde pública, até a produção de bioativos baseados na natureza (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

 

André Julião | Agência FAPESP – A FAPESP divulgou os resultados do Ciclo 1 da chamada Auxílio à Pesquisa Projeto Inicial π (Pi), lançada em 2025. Foram selecionadas 36 propostas de pesquisadores com excelente potencial que obtiveram título de doutorado até 12 anos antes da data da submissão e contratados há menos de oito anos em suas instituições.

O edital foi voltado a pesquisadores de todas as áreas do conhecimento contratados em instituições de ensino e pesquisa no Estado de São Paulo. “A diversidade de propostas contempladas vai do design de compostos para computadores quânticos, passando por energias renováveis, vigilância epidemiológica, efeitos do racismo na saúde pública, produção de bioativos baseados na natureza e os novos arranjos da economia urbana nas metrópoles africanas, entre outros”, conta Marcio de Castro, diretor científico da FAPESP.

Uma das contempladas é Amanda Braga de Figueiredo, do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, cujo projeto visa entender o funcionamento do sistema imune de pessoas saudáveis do Brasil. “Foi uma excelente oportunidade para começar uma nova linha de pesquisa na minha instituição, com uma pergunta cuja resposta também será útil à minha rede de pesquisa ampliada”, conta.

Depois do pós-doutorado com bolsa da FAPESP, Figueiredo queria compreender melhor como funciona a imunidade antes das alterações que levam ao estado de doença e como as pessoas podem responder melhor aos tratamentos.

“Estamos acostumados a estudar o sistema imune de pessoas que já estão com câncer ou alguma doença infecciosa, mas sabe-se muito pouco sobre o funcionamento dele quando saudável e quanto ele varia entre a população. Para piorar, os grandes estudos longitudinais que poderiam ajudar nesse quesito normalmente são realizados nos Estados Unidos, Europa e China, sem representatividade da população brasileira”, afirma a pesquisadora do Centro para Pesquisa em Imuno-Oncologia (CRIO), um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) da FAPESP sediado no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

No projeto selecionado, Figueiredo vai acompanhar cerca de 250 pessoas, entre 18 e 65 anos. A partir de sangue coletado no início da pesquisa, será feita uma análise de vários marcadores imunológicos. Serão aplicados questionários sobre estilo de vida e saúde das pessoas no momento da coleta do material biológico e, posteriormente, após dois, cinco e dez anos.

Um dos objetivos é criar um banco de dados ao final com os resultados da pesquisa e torná-lo público para outros pesquisadores, criando novas possibilidades de colaboração científica.

“Vamos ainda compará-lo com bancos de dados disponíveis para verificar o que há de diferente na população brasileira, o que poderia explicar muitos dos desfechos de saúde que acompanhamos aqui”, diz.

O estudo envolverá ainda a avaliação de ancestralidade dos voluntários por meio de análise do DNA, o que também pode trazer indicações de populações mais ou menos responsivas aos tratamentos desenvolvidos em outros países, por exemplo.

Energia das algas

Em outro campo de pesquisa, Eduardo Dellosso Penteado, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp), vai desenvolver o projeto “Conversão sustentável de resíduos em energia e bioprodutos usando células a combustível microbianas com microalgas”.

Além de gerar pequenas quantidades de eletricidade durante o tratamento de águas residuárias, nesses sistemas as microalgas cultivadas produzem carotenoides e fitormônios. Os produtos são valorizados na indústria alimentícia, como corantes e antioxidantes, e na agricultura, auxiliando no crescimento de plantas.

“A demanda por alternativas sustentáveis para a produção de energia e para o tratamento de resíduos vem crescendo. As células a combustível microbianas [CCMs], portanto, surgem como uma tecnologia promissora, ao utilizarem microrganismos que chamamos de exoeletrogênicos para transformar compostos orgânicos em eletricidade”, explica Penteado.

Dados os custos operacionais e de instalação das CCMs, a integração com microalgas possibilita não apenas a geração de energia com baixa emissão de carbono como a obtenção de bioprodutos valiosos.

Vacinas

Outro contemplado no edital é Thiago Rojas Converso, da Universidade São Francisco (USF), campus Bragança Paulista. Ele coordenará o projeto “Desenvolvimento de vacinas contra bactérias multirresistentes utilizando abordagens multiômicas”, que tem como foco as bactérias Klebsiella pneumoniae e Staphylococcus aureus, particularmente perigosas para pacientes debilitados em ambiente hospitalar.

“Consegui nessa proposta ampliar o escopo dos dois projetos anteriores apoiados pela FAPESP que desenvolvi e agora podemos identificar bons candidatos vacinais contra bactérias apontadas como prioritárias pela Organização Mundial da Saúde [OMS]”, diz.

Segundo ele, um dos desafios de desenvolver vacinas contra essas bactérias é que elas formam biofilmes de onde se disseminam para causar doenças. “Buscamos desenvolver uma ferramenta para identificar alvos não óbvios mirando o momento em que elas ‘mudam’ para uma fase em que causam doenças e utilizar essas moléculas para desenvolver vacinas direcionadas”, explica o pesquisador.

No projeto, seu grupo vai buscar entender o que há de diferente nas bactérias quando estão associadas aos biofilmes e quando se disseminam causando infecção. Para isso, serão usadas ferramentas distintas de bioinformática e plataformas ômicas, entre outras, para caracterizar as diferentes fases do processo de infecção e selecionar as moléculas principais associadas às doenças.

Os projetos contemplados no Ciclo 1 de 2025 da chamada Projeto Inicial estão listados em: fapesp.br/18008/. A divulgação do resultado do Ciclo 2 está prevista para abril.
 

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