Apresentação de ações para o Legislativo | AGÊNCIA FAPESP

Brito Cruz, Lafer e Sapienza (esq.p/dir.) na reunião extraordinária promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (foto:Fernando Cunha/FAPESP)

Apresentação de ações para o Legislativo

25 de agosto de 2011

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – O presidente da FAPESP, Celso Lafer, e o diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, participaram em 23 de agosto de uma reunião extraordinária promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

De acordo com o deputado estadual Vitor Sapienza (PPS), que presidiu a reunião, um dos objetivos da comissão é “dotar a mão de obra disponível no Estado de São Paulo de qualificação para assumir novos postos que estão surgindo no mercado de trabalho”.

Para isso, os integrantes da comissão convocam regularmente representantes das principais instituições governamentais que mantêm programas de aperfeiçoamento de pessoal no Estado de São Paulo para falar sobre suas atividades.

Em sua apresentação, Lafer fez um relato da história da Fundação, destacando o pioneirismo do Estado de São Paulo no reconhecimento da importância do respaldo à pesquisa ao estabelecer em sua Constituição Estadual de 1947, no artigo 123, que o amparo à pesquisa seria propiciado pelo Estado.

A Constituição paulista previu o modo de efetivar tal iniciativa por intermédio de uma fundação, que foi instituída em 23 de maio de 1962 por meio de um decreto sancionado por Carlos Alberto de Carvalho Pinto (1910-1987), governador paulista de 1959 a 1963.

“O Estado de São Paulo foi pioneiro no Brasil no reconhecimento da importância de se apoiar a pesquisa, ou seja, as atividades voltadas à descoberta de novos conhecimentos que ampliam o entendimento e o poder de uma sociedade sobre o seu destino”, disse.

“O valor agregado do conhecimento individualiza o Estado de São Paulo na Federação brasileira. É uma marca da presença do nosso Estado em um mundo que se globaliza”, completou.

Lafer relatou que em 2010 a FAPESP desembolsou R$ 783 milhões no apoio à pesquisa. Desse montante de recursos, 36% foram voltados para bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. E os outros 64% para o apoio direto a projetos de pesquisa nas diversas áreas do conhecimento, sendo que saúde, biologia, engenharia, ciências humanas e sociais, agronomia e veterinária são as cinco áreas que receberam o maior volume de recursos.

Para exemplificar alguns dos programas de pesquisa mantidos pela FAPESP, Lafer citou o programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), voltado para o apoio de centros de excelência em pesquisa em diversas áreas por um período de até 11 anos, além do BIOTA, BIOEN e o Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas.

“No decorrer dos anos, os sucessivos dirigentes e parceiros da FAPESP na comunidade científica, além do Executivo e o Legislativo, foram compreendendo a importância da Fundação e contribuíram para operar importantes mudanças nos paradigmas da organização da pesquisa nas instituições públicas e privadas existentes no Estado de São Paulo”, avaliou.

Sistema de pesquisa paulista

Em seguida à apresentação de Lafer, Brito Cruz entregou a Sapienza exemplares dos Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2010, produzidos pela FAPESP.

A publicação, que acaba de ser lançada, apresenta uma radiografia detalhada e completa do sistema de pesquisa paulista, do qual a FAPESP é um dos elementos.

“O sistema de pesquisa do Estado de São Paulo é maior do que o de países como a Espanha e Argentina, e o esforço de pesquisa paulista é substancialmente maior do que a média do Brasil e comparável ao da China, Canadá e Inglaterra”, disse Brito Cruz.

Segundo ele, diferentemente do que ocorre nos outros estados brasileiros, 63% do dispêndio em pesquisa no Estado de São Paulo é realizado por indústrias, que empregam milhares de pesquisadores em seus laboratórios. E dos investimentos governamentais na área no estado, 24% provêm do governo estadual, contra 13% do governo federal.

“O Governo do Estado de São Paulo realmente valoriza a atividade de pesquisa, que traz muitos benefícios para São Paulo. Não é por outra razão que o Estado de São Paulo é responsável pela metade da ciência produzida no Brasil, além de ser o mais industrializado do país e ter a maior participação nas exportações baseadas em alta tecnologia”, pontuou.

Após as apresentações de Lafer e Brito Cruz, foi aberta uma sessão de perguntas dos deputados presentes na reunião. Welson Gasparini (PSDB) indagou qual o retorno que os bolsistas apoiados pela FAPESP dão para o investimento realizado em suas pesquisas. Brito Cruz esclareceu que o principal retorno obtido desses pesquisadores advém das atividades e dos resultados das pesquisas que eles realizam durante o período de duração de suas bolsas.

“O retorno social (do investimento nos bolsistas) é a melhora do nível educacional de uma parcela importante da população que, posteriomente, trará benefícios à sociedade, seja ao trabalhar em uma empresa ou universidade, fazendo com que o Estado de São Paulo seja mais competitivo mundialmente por ter mão de obra qualificada”, disse.

Por sua vez, o deputado Mauro Bragato (PSDB), que foi bolsista de iniciação científica da FAPESP, parabenizou a Fundação pelo trabalho desempenhado em prol do desenvolvimento da ciência paulista. “A FAPESP é um orgulho para São Paulo”, disse.

Sapienza avaliou que a presença dos representantes da FAPESP na reunião possibilitou aos membros da comissão ter uma visão mais profunda sobre a atividade de pesquisa realizada no Estado de São Paulo e sugeriu uma maior divulgação científica voltada para estudantes do ensino fundamental.

Nesse sentido, Brito Cruz contou que a FAPESP firmou recentemente um acordo com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo por meio do qual serão disponibilizadas assinaturas da revista Pesquisa FAPESP para todos os diretores de escolas públicas e dirigentes de ensino no Estado de São Paulo.

O objetivo do acordo é possibilitar que o conteúdo da publicação possa ser usado em sala de aula para contribuir para a melhoria do ensino de ciências nas instituições de ensino fundamental paulistas.

 

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