Pesquisadores norte-americanos descobrem, no norte do Peru, os mais antigos vestígios já encontrados do cultivo de amendoim, abóbora e algodão, com idades entre 5 mil e 9 mil anos (foto: Science)
Pesquisadores norte-americanos descobrem, no norte do Peru, os mais antigos vestígios já encontrados do cultivo de amendoim, abóbora e algodão, com idades entre 5 mil e 9 mil anos
Pesquisadores norte-americanos descobrem, no norte do Peru, os mais antigos vestígios já encontrados do cultivo de amendoim, abóbora e algodão, com idades entre 5 mil e 9 mil anos
Pesquisadores norte-americanos descobrem, no norte do Peru, os mais antigos vestígios já encontrados do cultivo de amendoim, abóbora e algodão, com idades entre 5 mil e 9 mil anos (foto: Science)
A descoberta, publicada na edição desta sexta-feira (29/6) da revista Science, reforça a hipótese de que o desenvolvimento da agricultura nas Américas começou em assentamentos nos Andes.
A equipe fez a descoberta no Vale Ñanchoc, que fica a cerca de 500 metros acima do nível do mar, nos declives ocidentais mais baixos dos Andes, no norte peruano. De acordo com o autor principal do artigo, Tom Dillehay, do Departamento de Antropologia da Universidade Vanderbilt, as descobertas indicam que a agricultura teve um papel maior do que se imaginava no surto de desenvolvimento que ocorreu na região.
"Acreditamos que o desenvolvimento da agricultura pelo povo Ñanchoc foi o catalisador das mudanças culturais e sociais que eventualmente levaram à intensificação da agricultura, à institucionalização do poder político e ao aparecimento de novas cidades nos planaltos andinos e ao longo da costa de 4 mil a 5,5 mil anos atrás", disse Dillehay.
Os pesquisadores encontraram amendoins selvagens, abóbora e algodão, além de um grão semelhante à quinoa, mandioca, outros tubérculos e frutas, em sítios subterrâneos pré-cerâmicos, jardins, canais de irrigação e estruturas de armazenamento.
O estudo concluiu que a abóbora encontrada tem aproximadamente 9,2 mil anos, o amendoim cerca de 7,6 mil anos e o algodão 5,5 mil anos.
Para determinar as datas dos materiais, os pesquisadores usaram técnicas de espectrometria de massa e de datação por radiocarbono. Dados compilados por botânicos, descobertas arqueológicas anteriores e uma revisão da comunidade atual de plantas na área sugerem que os restos de vegetais descobertos não cresceram naturalmente no local.
"As plantas que achamos não cresceram naturalmente na área. Achamos que elas devem ter sido domesticadas em outro lugar e trazidas posteriormente para esse vale por mercadores ou horticultores móveis", disse Dillehay.
"O uso dessas plantas domesticadas está de acordo com mudanças culturais mais amplas, que acreditamos terem ocorrido nessa área naquela época", afirmou o pesquisador. As mudanças incluem o sedentarismo, o desenvolvimento da irrigação e de outras técnicas de gerenciamento hídrico, a criação de cerimônias públicas e a obtenção de artefatos exóticos.
O artigo Preceramic adoption of peanut, squash, and cotton in northern Peru, de Tom Dillehay e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
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