Três novos Centros de Pesquisa em Engenharia, 15 novos Centros de Pesquisa para o Desenvolvimento e editais de apoio à infraestrutura de pesquisa, entre outros, totalizam R$ 990 milhões (foto:Felipe Maeda/Agência FAPESP)

FAPESP celebra seus 60 anos com o anúncio de novos investimentos
26 de maio de 2022
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Três novos Centros de Pesquisa em Engenharia, 15 novos Centros de Pesquisa para o Desenvolvimento e editais de apoio à infraestrutura de pesquisa, entre outros, totalizam R$ 990 milhões

FAPESP celebra seus 60 anos com o anúncio de novos investimentos

Três novos Centros de Pesquisa em Engenharia, 15 novos Centros de Pesquisa para o Desenvolvimento e editais de apoio à infraestrutura de pesquisa, entre outros, totalizam R$ 990 milhões

26 de maio de 2022
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Três novos Centros de Pesquisa em Engenharia, 15 novos Centros de Pesquisa para o Desenvolvimento e editais de apoio à infraestrutura de pesquisa, entre outros, totalizam R$ 990 milhões (foto:Felipe Maeda/Agência FAPESP)

 

Karina Toledo | Agência FAPESP – “Hoje eu quero falar de sonhos. Não de devaneios, mas de sonhos que se tornam realidade e transformam nossas vidas. Mudam os destinos das pessoas, criam riquezas e empregos, reduzem as desigualdades. Ajudam as pessoas a ser felizes.” Com essas palavras o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, iniciou a cerimônia realizada nesta quarta-feira (25/05) para celebrar os 60 anos da Fundação. No evento, que reuniu expoentes da comunidade científica e autoridades políticas, foram anunciados novos investimentos em atividades de pesquisa que ao todo somam R$ 990 milhões.

Entre as novidades estão três Centros de Pesquisa em Engenharia (CPEs): um em parceria com a farmacêutica GSK e o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein na área de imuno-oncologia; outro com a empresa Ericsson e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em redes e serviços inteligentes; e o terceiro com a Embraer e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) na área de mobilidade aérea.

“Os CPEs constituem um modelo de financiamento à pesquisa que integra o setor empresarial e o acadêmico em um arranjo extremamente eficiente. O estado de Nova York [Estados Unidos] também adota esse modelo e conta hoje com 15 desses centros. A FAPESP, com os três centros anunciados hoje, passa a apoiar 23 CPEs, que no total vão mobilizar mais de R$ 1,5 bilhão em atividades de pesquisa. Assim, os R$ 325 milhões alocados pela FAPESP são praticamente multiplicados por cinco”, destacou Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fundação.

Também foram anunciados durante a cerimônia 15 novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), cuja missão é apoiar a pesquisa orientada a problemas, que tenha impacto social e/ou econômico específicos, responda a desafios de órgãos públicos e que seja relevante para o desenvolvimento de São Paulo. Entre os projetos selecionados, há iniciativas voltadas a garantir a segurança hídrica e alimentar, a buscar soluções para resíduos e embalagens, a desenvolver biofármacos e políticas públicas urbanas, a promover a transição energética e a gerar inovações que melhorem a saúde humana e animal.

As novidades incluem ainda: um edital para a criação de três novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs); a iniciativa Pesquisadores em Risco, voltada a apoiar cientistas em países conflagrados; o Projeto Geração, para financiar ideias audaciosas de pesquisadores em início de carreira; o Proeduca, programa desenvolvido com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e focado na melhoria do ensino básico; a iniciativa Amazônia +10, uma parceria da FAPESP com as Fundações de Amaro à Pesquisa (FAPs) da Amazônia Legal que visa o desenvolvimento sustentável; e três novos editais de apoio à infraestrutura em pesquisa.

“A FAPESP segue fazendo regularmente, como sempre fez, a concessão de bolsas e auxílios à pesquisa. E essas iniciativas vão crescer nos próximos anos. Em paralelo, estamos anunciando um conjunto de atividades adicionais. Isso é resultado da recuperação rápida da economia paulista e do crescimento da receita estadual. Também é fruto da orientação dada pelo Conselho Superior da FAPESP para que os recursos fossem geridos de forma muito prudente no período da pandemia. A demanda sobre a Fundação caiu no período, em função do fechamento de muitos laboratórios e da menor atividade presencial nos institutos e universidades. Nós preservamos esses recursos, mantivemos os mesmos critérios de qualidade de antes da pandemia e agora isso nos possibilita anunciar uma série de iniciativas que vão ser importantes para a retomada”, afirmou Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP.

Como lembrou Zago, nos últimos 60 anos a FAPESP concedeu 180 mil bolsas de apoio à formação de novos pesquisadores e 130 mil auxílios à pesquisa, sendo quase um terço deles projetos robustos, de alto valor e longo prazo. Liderou grandes mudanças científicas e tecnológicas no país, como a implementação da internet, da genômica e da bioinformática.

“O sonho [dos idealizadores da FAPESP] não mudou. O domínio da qualidade, do mérito e da missão é tão relevante hoje como sempre foi ao longo das seis décadas. Mas o mundo mudou; o Brasil mudou; a sociedade mudou. E a FAPESP também mudou. Mudanças fazem parte da vida das instituições vigorosas, porque aquelas que não evoluem morrem ou tornam-se obsoletas. E a FAPESP, pelo contrário, ao mesmo tempo em que consolidou suas abordagens mais tradicionais de apoio à pesquisa, continua abrindo novas frentes e novas formas de promover o desenvolvimento com base no conhecimento”, ressaltou.

Um dos acadêmicos que teve participação ativa na constituição da FAPESP na década de 1960 foi o presidente Fernando Herique Cardoso, que enviou um depoimento em vídeo para a cerimônia.

Política de Estado

O infectologista David Uip, recém-nomeado secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde, representou o governador Rodrigo Garcia no evento e reforçou o histórico compromisso do governo paulista com a ciência, a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento.

“O governador me deu a missão de liderar uma secretaria criada com a missão de facilitar a interlocução entre as excelências públicas do Estado e a iniciativa privada em todos os setores. Vamos encurtar caminhos, quebrar muralhas que distanciam o público e o privado”, afirmou.

A importância da parceria com o setor privado também foi destacada pela secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Zeina Latif, que integrou a mesa da cerimônia. “A pandemia trouxe duas revelações inesperadas: a valorização da ciência pela sociedade e a capacidade do Estado de São Paulo de dar resposta. Os acertos nas políticas públicas e na preocupação de reservar parte do orçamento para o fomento à ciência e à inovação. É importante aumentar a sinergia entre as nossas universidades para que tenhamos cada vez mais demanda por fomento. E o setor privado tem um papel essencial não só para aprimorar as políticas, mas para que haja ganho de escala. A gente ainda investe pouco perto das necessidades do país e do nosso potencial. Dá para fazer muito mais”, disse.

A comunidade científica brasileira foi representada na cerimônia pela presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader. Em sua fala, ela afirmou que deve sua trajetória acadêmica à FAPESP, que considera um “marco para o país”.

“Uma instituição como a FAPESP, com 60 anos de história, mostra que o Brasil pode e sabe fazer política de Estado. E os projetos mostrados aqui não apontam um movimento isolado. O Estado de São Paulo está olhando para o Brasil. O governo de São Paulo conseguiu entender que educação e ciência não são gastos e sim investimentos. Temos de recompor o que é política de Estado e a FAPESP é um modelo”, disse Nader.

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Carlão Pignatari, ressaltou em sua fala gratidão pela história que a FAPESP está construindo por São Paulo. “Vivemos hoje uma escolha que fizemos no passado. E as escolhas que fazemos hoje é o que vamos viver no futuro. Nada foi mais correto que a iniciativa de constituir um fundo de amparo à pesquisa no Estado de São Paulo – não à toa o Estado mais desenvolvido da nossa Federação. A FAPESP tem dado apoio a todas as universidades do Brasil, mesmo em um momento como este, com a dificuldade que alguns órgãos federais enfrentam e os recursos para pesquisa sendo dificultados. A FAPESP e o governo de São Paulo estão sempre junto com a ciência em defesa da vida do nosso povo.”

Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, a esse apoio de longa data que a FAPESP e o governo paulista têm garantido à ciência e à tecnologia se deve a preponderância da indústria de São Paulo no cenário nacional. “Inovação e tecnologia são a base da FAPESP e a única saída para o enriquecimento da nossa nação e a redução das desigualdades.”

O evento contou ainda com a presença de dois ex-presidentes do Conselho Superior da FAPESP, Celso Lafer e Carlos Vogt; do ex-diretor científico José Fernando Perez; do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Evaldo Ferreira Vilela; de reitores das universidades públicas sediadas no Estado de São Paulo; diretores de institutos de pesquisa; e pesquisadores.

A íntegra da cerimônia pode ser assistida no canal da Agência FAPESP no YouTube.

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