Estudo analisa a estrutura organizacional dos órgãos públicos responsáveis pela gestão do turismo em Sergipe (foto: vista aérea de Aracaju)

Turismo desarticulado
07 de julho de 2006

Estudo analisa a estrutura organizacional dos órgãos públicos responsáveis pela gestão do turismo em Sergipe. Sobreposição de funções e falta de articulação das instituições são os problemas mais graves

Turismo desarticulado

Estudo analisa a estrutura organizacional dos órgãos públicos responsáveis pela gestão do turismo em Sergipe. Sobreposição de funções e falta de articulação das instituições são os problemas mais graves

07 de julho de 2006

Estudo analisa a estrutura organizacional dos órgãos públicos responsáveis pela gestão do turismo em Sergipe (foto: vista aérea de Aracaju)

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - A estrutura dos órgãos públicos de turismo em Sergipe prejudica a gestão das atividades voltadas para o setor no estado. Segundo uma pesquisa recém-concluída, isso tem ocorrido principalmente por causa da sobreposição de competências e pela falta de articulação entre essas instituições.

"Comparado com outros estados do Nordeste, Sergipe não conta com muitos atrativos turísticos e a falta de articulação entre os órgãos do governo faz com que as poucas potencialidades continuem praticamente inexploradas", disse Maria Arlete de Araújo, diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), à Agência FAPESP.

Em artigo publicado na Revista de Administração Pública, Maria Arlete analisa a situação do turismo em Sergipe. O trabalho também é assinado por Marcilio de Medeiros Brito, pesquisador em gestão governamental do Programa de Pós-Graduação em Administração da UFRN.

O estudo baseou-se em pesquisa bibliográfica e documental e entrevistas com gerentes das três unidades administrativas responsáveis pela gestão do turismo no estado: a Secretaria de Estado do Turismo (Setur), a Empresa Sergipana de Turismo (Emsetur) e a Unidade Executora Estadual do Prodetur em Sergipe (UEE).

Foram avaliadas variáveis e indicadores como hierarquia das organizações, divisão de departamentos, capacitação de recursos humanos, comunicação e marketing turístico, fiscalização das atividades setoriais, políticas de planejamento turístico e novos investimentos em infra-estrutura de acesso e de lazer.

A pesquisadora identificou que, em determinados setores, uma mesma atividade é atribuída a mais de um responsável. Com isso, alguns agentes acabam tendo as mesmas funções. "Muitas vezes são criados dois departamentos para cuidar do mesmo problema, duplicando esforços e desperdiçando recursos públicos", disse.

O estudo classifica as três unidades administrativas analisadas como "burocracias mecanizadas ou detentoras de modelos clássico-burocráticos". Por conta disso, a estrutura administrativa que deveria ordenar o funcionamento dessas organizações cria, desde o início, "confusão e conflito". Para a pesquisadora, o poder público de Sergipe precisa entender o turismo como uma opção fundamental de desenvolvimento econômico do estado, de modo a melhorar a qualidade de vida da população.

"Para o turismo em Sergipe ser alavancado de forma mais efetiva, as ações públicas devem ser realizadas com mais dinamismo e de forma mais integrada", afirma. "Natal, por exemplo, fez claramente a opção pelo turismo. Nos últimos dez anos, a cidade mudou graças a projetos de infra-estrutura que melhoraram os acessos às praias e permitiram a construção de novas unidades hoteleiras", disse Maria Arlete.

Vale lembrar que o estudo foi realizado no início de 2004 e reflete a realidade dos órgãos de turismo naquele momento. Hoje, a situação é diferente e o governo do Estado, consciente da necessidade de correção de alguns problemas diagnosticados, fez uma reestruturação organizacional nos órgãos de turismo, extinguindo a Emsetur e fortalecendo a Setur.

Para ler o artigo "Aparato institucional para a gestão do turismo: o caso do estado de Sergipe" na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.


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