Nicole foi da África do Sul a Austrália em 99 dias. E depois voltou
(foto: M. Meyer/Marine and Coastal Management)

Tempo recorde
07 de outubro de 2005

Da África do Sul até a Austrália em 99 dias. O grande tubarão branco é um dos recordistas dos mares, segundo estudo publicado na Science desta sexta (7/10). A migração – o animal foi e voltou em nove meses – traz informações inéditas sobre a espécie

Tempo recorde

Da África do Sul até a Austrália em 99 dias. O grande tubarão branco é um dos recordistas dos mares, segundo estudo publicado na Science desta sexta (7/10). A migração – o animal foi e voltou em nove meses – traz informações inéditas sobre a espécie

07 de outubro de 2005

Nicole foi da África do Sul a Austrália em 99 dias. E depois voltou
(foto: M. Meyer/Marine and Coastal Management)

 

Agência FAPESP - Satélites, comunicadores e modernas técnicas fotográficas. Grupo de pesquisadores de várias instituições da África do Sul e da Wildlife Conservation Society, dos Estados Unidos, estão entusiasmados e ao mesmo tempo preocupados.

Resultados de uma pesquisa publicada na edição desta sexta (7/10) da revista Science mostram que faltava descobrir muitas coisas sobre os grandes tubarões brancos (Carcharodon carcharias). E as surpresas ainda devem continuar.

Com uma velocidade não inferior a 4,7 quilômetros por hora, o P12 (além da sigla, os cientistas deram o nome de Nicole ao tubarão em homenagem à atriz australiana Nicole Kidman) atravessou o Oceano Índico da África do Sul até a Austrália em 99 dias. Foram 11 mil quilômetros. Em 66% do tempo, o peixe, que chegou até os 980 metros de profundidade em alguns momentos, permaneceu a um pouco menos de 5 metros de profundidade.

A migração mapeada pelos pesquisadores sugere uma série de desdobramentos. A primeira é o próprio ineditismo dessa travessia. Até hoje não se tinha notícia de que haveria algum tipo de comunicação entre as populações da África e da Ásia. Além disso, os dados revelam que os cientistas não tinham noção da vulnerabilidade desses tubarões. A forma como ocorre a migração torna esses animais presas fáceis para os grandes barcos da pesca comercial.

Como Nicole voltou para a África do Sul depois de nove meses, os pesquisadores estão desconfiados de que esses tubarões voltam ao local de origem para procriar também. Além disso, existe uma outra especulação científica, por causa da profundidade em que a viagem foi feita. Será que esses vertebrados podem utilizar alguma referência celeste para chegar até o outro lado do mundo?

Os 20 mil quilômetros cumpridos colocam o P12 como recordista em travessias transoceânicas de ida e volta. Não há registro de que essa velocidade tenha sido atingida por nenhum outro organismo marinho. A marca de Nicole pode ser comparada apenas à velocidade de deslocamento dos rápidos atuns, lembram os pesquisadores.


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