Agência FAPESP - De um lado, o objetivo bem financeiro de estimular o mercado de capitais. De outro, a nova demanda social pela sustentabilidade ambiental e pela responsabilidade ética.
O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), trabalhou com essas duas vertentes, além das ferramentas econômicas propriamente ditas, para criar o primeiro Índice de Sustentabilidade do país. A cerimônia de inauguração será nesta quinta-feira (1º/12), na capital paulista.
"Serão selecionadas até 40 empresas que almejam a perenidade ao administrar aspectos ambientais, sociais e de governança corporativa, sem deixar de criar valor para os acionistas", disse Mário Monzoni, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, à Agência FAPESP. A escolha das corporações será feita com base em questionários respondidos pelos próprios executivos.
Segundo Monzoni, que também é o responsável pela metodologia do índice, o trabalho de montagem esteve centrado no conceito-base do "triple bottom line". "Foram avaliados elementos econômicos-financeiros, sociais e ambientais de forma integrada", explica.
Em termos práticos, transparência nos relacionamentos com clientes e fornecedores, conformidade com as legislações vigentes e publicações de balanço social ou de sustentabilidade são pontos que serão considerados pelo índice. "O mesmo vale para o endosso do Pacto Global das Nações Unidas e também se o consumo e a utilização dos produtos da companhia acarretam danos efetivos ou riscos à saúde, seja aos consumidores, a terceiros ou ainda à segurança pública", diz Monzoni.
Essa será a primeira iniciativa do gênero na América Latina. Os principais índices de sustentabilidade no mundo hoje estão em Nova York, Londres e em Johannesburgo, na África do Sul, que em outubro de 2002 recebeu a conferência Rio+10. O Dow Jones, nos Estados Unidos, foi o primeiro grupo a ligar a sustentabilidade aos seus produtos. O Sustainability Index (DJSI) existe desde 1999.
Segundo Monzoni, o desenho metodológico do índice é pioneiro por introduzir a "análise de clusters" como uma das ferramentas estatísticas no processo de classificação final das empresas. Essa foi a forma escolhida para que as cinco dimensões analisadas (informação ao público, comparabilidade, auditabilidade, abrangência e temporalidade) pudessem ser comparadas em um único conjunto, formado pelas 40 empresas que vão fazer parte da cesta de investimentos. Tais critérios e indicadores são considerados pela literatura de sustentabilidade empresarial como princípios consagrados.
Revista Adiante
O Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, em parceria com um grupo de editores independentes, apresentará também nesta quinta-feira outra iniciativa. Trata-se da revista Adiante, também centrada no conceito do "tripple bottom line".
Segundo os editores, o objetivo da publicação, com circulação nacional e tiragem inicial de 10 mil exemplares, é promover um diálogo aberto sobre questões ambientais, sociais e econômicas. Estão sendo chamados para a discussão a iniciativa privada, o governo, entidades não-governamentais, a academia e cidadãos.
Mais informações: www.ces.fgvsp.br
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