Pesquisadores da FGV participam da construção do primeiro índice de sustentabilidade para bolsa de valores do Brasil

Sustentabilidade empresarial
01 de dezembro de 2005

Primeiro índice de sustentabilidade em bolsa de valores no Brasil será lançado nesta quinta (1º/12). O conceito foi adaptado ao país pela Fundação Getulio Vargas, que também desenvolveu a metodologia do projeto

Sustentabilidade empresarial

Primeiro índice de sustentabilidade em bolsa de valores no Brasil será lançado nesta quinta (1º/12). O conceito foi adaptado ao país pela Fundação Getulio Vargas, que também desenvolveu a metodologia do projeto

01 de dezembro de 2005

Pesquisadores da FGV participam da construção do primeiro índice de sustentabilidade para bolsa de valores do Brasil

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - De um lado, o objetivo bem financeiro de estimular o mercado de capitais. De outro, a nova demanda social pela sustentabilidade ambiental e pela responsabilidade ética.

O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), trabalhou com essas duas vertentes, além das ferramentas econômicas propriamente ditas, para criar o primeiro Índice de Sustentabilidade do país. A cerimônia de inauguração será nesta quinta-feira (1º/12), na capital paulista.

"Serão selecionadas até 40 empresas que almejam a perenidade ao administrar aspectos ambientais, sociais e de governança corporativa, sem deixar de criar valor para os acionistas", disse Mário Monzoni, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, à Agência FAPESP. A escolha das corporações será feita com base em questionários respondidos pelos próprios executivos.

Segundo Monzoni, que também é o responsável pela metodologia do índice, o trabalho de montagem esteve centrado no conceito-base do "triple bottom line". "Foram avaliados elementos econômicos-financeiros, sociais e ambientais de forma integrada", explica.

Em termos práticos, transparência nos relacionamentos com clientes e fornecedores, conformidade com as legislações vigentes e publicações de balanço social ou de sustentabilidade são pontos que serão considerados pelo índice. "O mesmo vale para o endosso do Pacto Global das Nações Unidas e também se o consumo e a utilização dos produtos da companhia acarretam danos efetivos ou riscos à saúde, seja aos consumidores, a terceiros ou ainda à segurança pública", diz Monzoni.

Essa será a primeira iniciativa do gênero na América Latina. Os principais índices de sustentabilidade no mundo hoje estão em Nova York, Londres e em Johannesburgo, na África do Sul, que em outubro de 2002 recebeu a conferência Rio+10. O Dow Jones, nos Estados Unidos, foi o primeiro grupo a ligar a sustentabilidade aos seus produtos. O Sustainability Index (DJSI) existe desde 1999.

Segundo Monzoni, o desenho metodológico do índice é pioneiro por introduzir a "análise de clusters" como uma das ferramentas estatísticas no processo de classificação final das empresas. Essa foi a forma escolhida para que as cinco dimensões analisadas (informação ao público, comparabilidade, auditabilidade, abrangência e temporalidade) pudessem ser comparadas em um único conjunto, formado pelas 40 empresas que vão fazer parte da cesta de investimentos. Tais critérios e indicadores são considerados pela literatura de sustentabilidade empresarial como princípios consagrados.

Revista Adiante

O Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, em parceria com um grupo de editores independentes, apresentará também nesta quinta-feira outra iniciativa. Trata-se da revista Adiante, também centrada no conceito do "tripple bottom line".

Segundo os editores, o objetivo da publicação, com circulação nacional e tiragem inicial de 10 mil exemplares, é promover um diálogo aberto sobre questões ambientais, sociais e econômicas. Estão sendo chamados para a discussão a iniciativa privada, o governo, entidades não-governamentais, a academia e cidadãos.

Mais informações: www.ces.fgvsp.br


  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.