Ativação dos fatores de transcrição da proteína NF-Kapa B contribui para a resistência e a sobrevivência de células envoldias com determinados tipos de tumor

Supressão tumoral

Em artigo na revista Cancer Cell, grupo de pesquisa internacional, que contou com a participação de brasileiro, mostra que a ativação dos fatores de transcrição da proteína NF-KapaB pode ter efeito terapêutico importante em certos tipos de câncer

14 de setembro de 2006
Supressão tumoral

Em artigo na revista Cancer Cell, grupo de pesquisa internacional, que contou com a participação de brasileiro, mostra que a ativação dos fatores de transcrição da proteína NF-KapaB pode ter efeito terapêutico importante em certos tipos de câncer

14 de setembro de 2006

Ativação dos fatores de transcrição da proteína NF-Kapa B contribui para a resistência e a sobrevivência de células envoldias com determinados tipos de tumor

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - É mais um passo na direção do desenvolvimento de terapias eficazes contra o câncer. Dessa vez, o mecanismo bioquímico identificado por um grupo de pesquisa internacional poderá ajudar no combate a tipos bem específicos de tumores, principalmente os localizados no cérebro (astrocitomas), coração (rabdomiomas) e rins (angiomiolipomas).

"Verificamos que esses três tumores têm grande incidência de mutações no gene TSC2, que é supressor de tumor", disse Ricardo Corrêa, pesquisador do Laboratório de Biologia Celular e Molecular do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, um dos autores do trabalho.

O estudo, publicado esta semana na revista Cancer Cell, foi feito quando Corrêa trabalhava no Instituto Salk, na Califórnia, em 2005. "Os resultados demonstram que a ativação dos fatores de transcrição da proteína NF-Kapa B [componente que auxilia no controle da morte celular] é um mecanismo que contribui para a resistência e a sobrevivência das células deficitárias em TSC2", disse Côrrea à Agência FAPESP.

Para chegar aos resultados agora publicados, os pesquisadores trataram células relacionadas ao genes TSC2 com agentes que promovem danos ao DNA e também com fatores pró-inflamatórios. "Nesse caso, percebemos que as células estudadas perderam a ativação da via de NF-KapaB e também apresentaram baixa taxa de sobrevivência", disse.

Os autores conseguiram restituir as funções celulares perdidas ao tratar o material biológico com rapamicina. Esse foi o agente responsável pela ativação da NF-KapaB, que por sua vez aumentou a taxa de sobrevivência celular.

"O tratamento desses tumores específicos já vem sendo feito com a rapamicina, mas esse fator acaba por promover resistência desses tumores ao tratamento quimioterápico", disse Côrrea. Agora, com a identificação também da importância do NF-KapaB no processo, um cerco ainda maior aos tumores poderá ser tentado.

Segundo o pesquisador brasileiro, a administração combinada de quimioterápicos que tenham como alvos tanto os receptores da rapamicina como o fator NF-KapaB maximiza os benefícios da terapia anticâncer. "Isso, claro, para os tumores derivados de mutações de TSC", disse Côrrea.

O artigo Essential role of tuberous sclerosis genes TSC1 and TSC2 in NF-κB activation and cell survival pode ser lido por assinantes em http://www.cancercell.org.


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