Sondagem precisa
10 de abril de 2006

Uma das conseqüências do câncer de mama é a realização do esvaziamento axilar, muitas vezes apenas por precaução. Sonda desenvolvida na UFPE pode evitar essa seqüela por um terço do custo de equipamento importado

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Uma das conseqüências do câncer de mama é a realização do esvaziamento axilar, muitas vezes apenas por precaução. Sonda desenvolvida na UFPE pode evitar essa seqüela por um terço do custo de equipamento importado

10 de abril de 2006

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - Os linfonodos presentes nas axilas das mulheres com câncer de mama são sempre preocupantes para os médicos no momento da cirurgia. Caso eles estejam comprometidos, o risco de o tumor se espalhar para outras partes do corpo é bastante grande. Por conta disso, normalmente é feito o esvaziamento axilar.

Para tentar evitar mais essa seqüela, que pode prejudicar até a movimentação dos braços, algumas técnicas foram desenvolvidas nos últimos dez anos para que o médico, no momento da operação, consiga saber exatamente se os linfonodos da paciente estão ou não comprometidos. Caso o teste dê negativo, a remoção de parte do tecido das axilas é evitada.

O problema, pelo menos para a maioria da população, é que as sondas para análise dos linfonodos são importadas dos Estados Unidos e custam entre US$ 15 mil e US$ 17 mil. Como esse equipamento não é coberto pelos planos de saúde, poucos médicos e pacientes decidem pelo procedimento.

Em busca de uma solução nacional que possa oferecer a mesma segurança que o equipamento norte-americano, o engenheiro Iran José Oliveira da Silva, do grupo de dosimetria e instrumentação nuclear da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), resolveu estudar o problema no doutorado que acaba de concluir. O resultado é uma sonda que custa, em média, um terço da importada.

"Usamos um detector cintilador do tipo plástico, jamais utilizado para esse fim", explica o cientista à Agência FAPESP. Na sonda tradicional, o cintilador é do tipo sólido. "Conseguimos fazer essa utilização por causa de um tratamento especial que foi dado sobre a superfície do equipamento. A resposta de sinal que obtivemos é inédita, em comparação com a da literatura estudada", conta.

Em linhas gerais, a sonda, por meio do cintilador, detecta a substância radioativa injetada no paciente. No caso do câncer de mama, é utilizado um composto à base de tecnécio. "Conseguimos dominar bem tanto a tecnologia de acoplamento entre o cintilador plástico, o guia de luz e o fotossensor quanto a técnica de localização do linfonodo", explica o engenheiro.

Como o tecnécio se espalha por todo o corpo, mas se concentra no tumor primário e no caminho que as células tumorais fazem em direção ao linfonodo sentinela, os raios gama emitidos pelo elemento químico é que são decisivos para a decisão médica. A ausência de radiação indica que o tecido está saudável.

"A grande vantagem do cintilador plástico é o baixo custo associado ao domínio da tecnologia de fabricação. No Brasil, por exemplo, ele já é feito", afirma Silva. Segundo o pesquisador, os testes feitos em laboratório, durante o projeto de doutorado, mostraram que o desempenho das duas sondas é praticamente igual.

"Vamos agora partir para a identificação de linfonodos sentinelas em pacientes durante o procedimento cirúrgico", conta. Concluída essa segunda etapa, será estudada a viabilização da fabricação em larga escala da sonda com cintilador plástico.


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