Pesquisadores brasileiros tentam identificar a origem genética de doença dermatológica que inutiliza exemplares de quarto de milha (foto: divulgação/Unesp)

Síndrome rara em cavalos
24 de janeiro de 2006

Pesquisadores brasileiros tentam identificar a origem genética de doença dermatológica que inutiliza exemplares de quarto-de-milha para competições esportivas ou trabalho no campo

Síndrome rara em cavalos

Pesquisadores brasileiros tentam identificar a origem genética de doença dermatológica que inutiliza exemplares de quarto-de-milha para competições esportivas ou trabalho no campo

24 de janeiro de 2006

Pesquisadores brasileiros tentam identificar a origem genética de doença dermatológica que inutiliza exemplares de quarto de milha (foto: divulgação/Unesp)

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - A Astenia cutanea, uma doença dermatológica rara e incurável em cavalos, tem preocupado os veterinários que lidam com exemplares da raça quarto de milha.

"A doença é hereditária e teve origem nos Estados Unidos. Apesar de não levar à morte e nem ser contagiosa, ela gera grande prejuízo econômico aos criadores", explica o veterinário Alexandre Borges, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu.

Borges é um dos autores do trabalho pioneiro que descreveu os casos paulistas da doença, identificada pela primeira vez em 2001. O artigo foi publicado em abril de 2005 na revista Veterinary Dermatology, veículo oficial das sociedades de dermatologia veterinária da Europa, dos Estados Unidos, Canadá e Austrália.

Além de ficarem extremamente debilitados e não poderem participar de competições esportivas ou de trabalhos no campo, os animais têm sua reprodução proibida para não passar os genes alterados aos descendentes. Exemplares da raça quarto-de-milha, de acordo com o nível técnico e o pedigree, chegam a custar mais de R$ 15 mil cada um.

Os primeiros sintomas da doença são pequenas feridas na pele que se instalam nas regiões lombar ou toráxica. "É um grande desperdício. O animal doente fica inutilizado para qualquer atividade. O contato da pelagem com outras estruturas, como a sela, pode levar a lesões cutâneas ainda mais severas", disse Borges à Agência FAPESP.

Nos Estados Unidos, segundo o veterinário da Unesp, há pelo menos 300 casos já confirmados. Para que a doença se desenvolva, é preciso que as duas cópias dos genes defeituosos estejam presentes, uma herdada da mãe e outra do pai.

No Brasil, os pesquisadores suspeitam de outros casos ainda sem diagnóstico, por causa da grande presença de cavalos quartos-de-milha. Por aqui, há cerca de 300 mil exemplares registrados da raça originária dos Estados Unidos, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto-de-Milha.

"A meta agora é identificar os genes anormais causadores da Astenia cutanea. A expectativa é que seja possível fazer um diagnóstico preciso com mais antecedência, por meio de testes genéticos. Os cavalos com problema seriam afastados da reprodução antes mesmo de apresentar a doença", explica o pesquisador da Unesp.

Atualmente, não é possível saber se o animal é portador da doença antes de aparecerem os primeiros sinais na pele. "Conseguimos apenas indicar a probabilidade de um animal ter o gene da doença pela análise do pedigree, que fornece informações de suas gerações passadas", diz Borges.

Além dos eqüinos, alterações genéticas semelhantes foram identificadas em cães, gatos e em bovinos. Entre os seres humanos, a doença também existe e é conhecida pelo nome de síndrome Ehlers-Danlos. Todas essas manifestações fazem partem de um grupo heterogêneo de enfermidades que se caracteriza pela fragilidade do tecido conjuntivo – que tem a função de ligar os tecidos que formam os órgãos e também de preenchê-los.


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