Foto: CDC

S. japonicum é seqüenciado na China
15 de setembro de 2003

Agência FAPESP entrevista líder da pesquisa que conseguiu anotar mais de 13 mil genes do organismo causador da esquistossomose na Ásia. Trabalho será publicado na edição de outubro da Nature Genetics, junto com o do Instituto de Química da USP, que seqüenciou o Schistossoma mansoni

S. japonicum é seqüenciado na China

Agência FAPESP entrevista líder da pesquisa que conseguiu anotar mais de 13 mil genes do organismo causador da esquistossomose na Ásia. Trabalho será publicado na edição de outubro da Nature Genetics, junto com o do Instituto de Química da USP, que seqüenciou o Schistossoma mansoni

15 de setembro de 2003

Foto: CDC

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - Do total de 15 mil genes que o parasita Schistosoma japonicum tem, 13 mil já são conhecidos. O seqüenciamento genético do organismo que causa a esquistossomose em vários países da Ásia foi considerado terminado. O trabalho de um grupo de cientistas chineses, do Centro de Genoma Humano sediado em Shangai, será publicado, assim como o trabalho brasileiro assinado por Sergio Verjovski-Almeida, na edição de outubro da revista Nature Genetics, que já está disponível na sua versão online (www.nature.com/ng.).

"A esquistossomose é um problema muito sério também na China", disse Ze-Guang Han, cientista que liderou a pesquisa, à Agência FAPESP. "O número de casos tem subido gradualmente desde 1995. Existem hoje pelo menos 820 mil indivíduos contaminados. Além disso, uma população de 65 milhões de pessoas vive em áreas de risco potencial, próximo a locais onde o verme é encontrado", disse.

O pesquisador chinês acredita que, assim como no Brasil, o grande objetivo depois de terminada a fase de seqüenciamento genético é buscar uma vacina contra a doença. "Claro que com as informações genéticas que temos agora em mãos alguns novos caminhos se abriram", disse. A ilusão, entretanto, não faz parte do cenário de Han. "Desenvolver uma vacina não é uma tarefa fácil, mas trabalho de muitos anos."

Antes da vacina, a etapa mais palpável para o cientista chinês é o desenvolvimento de novos métodos de diagnósticos genéticos. "Agora, o nosso interesse é descobrir métodos mais sensíveis aos que existem hoje", disse Han.

Entre as seqüências expressas identificadas na China, 75% foram identificados pela primeira vez no gênero Schistosoma. Han e seus colaboradores identificaram genes que sintetizam proteínas semelhantes às existentes nos receptores dos mamíferos para substâncias como insulina, progesterona e neuropeptídeos.

Os cientistas acreditam que essas novas informações, obtidas também junto com o seqüenciamento, serão fundamentais para que o sistema bioquímico usado pelo parasita, quando da invasão das células dos hospedeiros, seja melhor conhecido.

Segundo Han, o governo chinês investiu até agora no programa de seqüenciamento do S. japonicum algo próximo dos US$ 90 mil. "São recursos insuficientes. Gastamos até o momento US$ 150 mil e espero que o governo possa continuar investindo no programa", disse.

A esquistossomose não é um problema recente no território chinês. Já em 1950, 12 milhões de pessoas tinham a doença, principalmente no sul do país. O governo reconheceu a situação como calamitosa e passou a treinar a população para matar o caramujo, hospedeiro intermediário da doença. "Em 1998, antes de a doença começar a crescer entre nós, havia 400 mil pacientes na China", disse Han.


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