A pesquisa teve como base a análise de entrevistas e observações de sete professoras do Ensino Fundamental que lecionam em escolas municipais ou estaduais da região de Campinas e têm alunos surdos na sala de aula. A interpretação dos dados foi fundamentada em quatro categorias temáticas: intelectual, comportamental, aprendizagem e linguagem.
"O fato de o professor não estar devidamente preparado para receber o aluno surdo é realidade, e acontece com a maioria dos professores de escola regular", diz o artigo referente ao estudo, disponível na biblioteca eletrônica Scielo. "Assim, quando o professor recebe esse aluno, muitas vezes exibe idéias preconcebidas ou concepções equivocadas a respeito da surdez".
Os dados obtidos na pesquisa apontaram que as professoras consideram os alunos surdos inteligentes. Algumas afirmam que o aluno surdo é esperto, participante, atento a tudo, e que faz todos os exercícios. "Porém, embora muitos surdos consigam se comunicar oralmente e por escrito, a grande maioria não ultrapassa o nível de decodificação das mensagens, muitas vezes sem atribuir um sentido ao que foi compreendido, o que compromete a aprendizagem", diz o artigo.
Na prática, os alunos deficientes auditivos são tratados como excluídos, pois se exige menos deles e se tolera muito mais comportamentos e atitudes, diferente do que a professora faz com os outros alunos. As pesquisadoras concluíram que as atitudes das professoras deixam transparecer a imagem de que o aluno surdo é menos capaz, apesar do discurso das entrevistas ser outro, pois todas as professoras pareciam tratar os alunos como tendo muita dificuldade para acompanhar o processo escolar.
Link do artigo no Scielo www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722003000200010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
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