Pesquisa feita nos EUA, liderada pelo brasileiro Nelson Fausto, consegue isolar células-tronco do fígado humano (foto: divulgação)

Regeneração induzida
13 de junho de 2006

Pesquisa feita nos EUA, liderada pelo brasileiro Nelson Fausto, consegue isolar células-tronco do fígado humano. Transplantadas em camundongos, as células restabeleceram parte de fígados danificados

Regeneração induzida

Pesquisa feita nos EUA, liderada pelo brasileiro Nelson Fausto, consegue isolar células-tronco do fígado humano. Transplantadas em camundongos, as células restabeleceram parte de fígados danificados

13 de junho de 2006

Pesquisa feita nos EUA, liderada pelo brasileiro Nelson Fausto, consegue isolar células-tronco do fígado humano (foto: divulgação)

 

Por Heitor Shimizu


Agência FAPESP - Uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos conseguiu isolar e caracterizar uma linhagem estável de células-tronco do fígado humano. As células multipotentes, ao serem transplantadas em camundongos com problemas no fígado, não apenas sobreviveram como foram capazes de restabelecer parte do tecido danificado.

O estudo foi feito nos Estados Unidos por um grupo liderado pelo brasileiro Nelson Fausto, professor e chefe do Departamento de Patologia da Universidade de Washington.

Células-tronco multipotentes, ou pluripotentes, podem se diferenciar em quase todos os tipos de tecidos humanos (menos placenta e anexos embrionários) e têm oferecido perspectivas inovadoras para o desenvolvimento de novas técnicas e eventuais tratamentos médicos.

O fígado adulto contém um reservatório de células progenitoras, que dão ao órgão um elevado potencial regenerativo, mas até hoje tais células não haviam sido isoladas de fígados humanos.

A equipe de Fausto, todos da mesma universidade, conseguiu isolar e caracterizar células progenitoras não modificadas de fígados fetais, entre 74 e 108 dias, obtidos a partir de abortos legais.

"As células foram transplantadas diretamente em camundongos com deficiência imunológica, nos quais foram induzidos danos agudos no fígado. Para determinar se as células estavam se expandindo medimos os níveis de albumina humana no sangue dos animais", explicou Fausto em entrevista à Agência FAPESP.

As células-tronco transplantadas se diferenciaram em múltiplos tipos de células, como hepatócitos e células ductais biliares. "O desenvolvimento de outras linhagens (de cartilagem, gordura e endotélio) foi obtido de culturas celulares, pela alteração de condições apropriadas. Por exemplo, ao desenvolver células em meios permissivos ao crescimento ósseo, obtivemos a formação de células ósseas com calcificação", conta Fausto.


Muito a fazer

Os cientistas estão atualmente investigando, também em modelos animais, os fatores críticos que determinam a diferenciação, proliferação e transição de linhagem, bem como as condições ideais para manter hepatócitos diferenciados em cultura por longos períodos de tempo.

Em relação à aplicação humana para o tratamento de doenças no fígado, Fausto é claro: ainda falta muito. "Há diversos problemas, como a velocidade com que as células têm de crescer para restabelecer funções, de que modo lidar com a rejeição imunológica ou como introduzir tais células no fígado", disse.

O pesquisador explica que a principal conquista do estudo agora publicado é entender melhor como o fígado se desenvolve. "Além disso, o sistema de cultura celular que desenvolvemos também está sendo experimentado para manter o vírus da hepatite C, algo muito difícil. Isso levará a novos estudos de agentes antivirais contra a hepatite C e talvez poderá servir como ponto de partida para o desenvolvimento de uma vacina contra a doença", disse.

Formado em medicina pela Universidade de São Paulo, Fausto está desde 1962 nos Estados Unidos, inicialmente na Universidade de Wisconsin. Fundou e dirigiu o departamento de patologia na Universidade Brown. Está na Universidade de Washington desde 1994.

O estudo será publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), primeiro no site e depois na versão impressa.

O artigo "Isolation of multipotent progenitor cells from human fetal liver capable of differentiating into liver and mesenchymal lineages", de N. Fausto, Y. Y. Dan, K. J. Riehle, C. Lazaro, N. Teoh, J. Haque e J. S. Campbell, pode ser lido por assinantes da publicação em www.pnas.org.


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