Suely Druck, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, discute em conferência na 57ª SBPC um grave problema do ensino brasileiro: a produção de analfabetos funcionais (foto: Thiago Romero)
Suely Druck, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, discute em conferência na 57ª SBPC um grave problema do ensino brasileiro: a produção de analfabetos funcionais
Suely Druck, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, discute em conferência na 57ª SBPC um grave problema do ensino brasileiro: a produção de analfabetos funcionais
Suely Druck, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, discute em conferência na 57ª SBPC um grave problema do ensino brasileiro: a produção de analfabetos funcionais (foto: Thiago Romero)
Agência FAPESP - Muitos jovens brasileiros vão às escolas, freqüentam as aulas e recebem seus diplomas. Porém, não aprendem o que deveriam.
Os números são alarmantes. O Brasil possui cerca de 79 milhões de pessoas, entre 16 e 64 anos, que são analfabetos numéricos, ou seja, sabem o que é um número mas não conseguem desenvolver operações simples de soma ou subtração. Além disso, 42 milhões nessa mesma faixa etária estão em estado crítico de leitura, ou seja, conseguem ler uma palavra ou outra, mas não entendem o conteúdo do texto. Desses, 10 milhões não sabem ler nem escrever.
De maneira geral, 86 milhões de brasileiros são analfabetos funcionais, pois não dominam habilidades nem de português nem de matemática. Os dados foram apresentados por Suely Druck, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), durante a conferência Produção de Analfabetos no Brasil, nesta quinta-feira (20/7), na 57ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Fortaleza.
O cenário deixa o país em posição crítica no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), exame aplicado a estudantes de 15 anos em cerca de 40 países, com o objetivo de avaliar o desempenho para produzir indicadores sobre os sistemas educacionais.
"Os estudantes brasileiros estão entre os que têm os menores níveis de alfabetização em matemática. Em 2003, o país ficou em penúltimo lugar, na frente apenas do Peru. Em alguns itens, o Brasil nem sequer foi avaliado, pois não conseguiu a pontuação mínima necessária", lamenta Suely.
A também professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, acredita que um dos grandes problemas – talvez o maior – esteja na má formação dos professores. Segundo ela, além de esses não dominarem os conteúdos ministrados em sala de aula, acabam se mantendo distantes do ambiente científico, principalmente nas instituições públicas.
"Há uma mentalidade descompromissada com a informação científica. Se os professores não conseguem ensinar trigonometria com qualidade, por exemplo, os alunos estão condenados a serem analfabetos em física", disse.
Diante desse quadro literalmente negro, a boa notícia é a existência de uma consciência social sobre a importância da educação de qualidade. Um bom indicador que comprova esse fato é o número de inscritos na recém-criada Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), uma parceria entre os ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia. Além de estimular o interesse pela matemática, a idéia da competição é incentivar o ingresso dos jovens talentos nas áreas científicas e tecnológicas.
"Já atingimos os 10,5 milhões de alunos inscritos, provenientes de 92% dos municípios e de 31 mil escolas públicas de todo o país", comemora Suely. "Se temos qualquer esperança de modificar a educação brasileira, é com essa população que devemos começar nosso trabalho. São jovens prontos para receber o conhecimento e aproveitar as oportunidades."
Mais informações: www.obmep.org.br
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