Próximo do fim
05 de junho de 2006

Dados divulgados pelo Inpe e SOS Mata Atlântica mostram redução de 71% na taxa de desflorestamento da Mata Atlântica, mas a perda continua intensa no pouco que sobrou da vegetação

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Dados divulgados pelo Inpe e SOS Mata Atlântica mostram redução de 71% na taxa de desflorestamento da Mata Atlântica, mas a perda continua intensa no pouco que sobrou da vegetação

05 de junho de 2006

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Oito estados foram avaliados e os resultados preliminares acabam de ser divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação SOS Mata Atlântica. Entre 2000 e 2005, houve redução de 71% na área total desflorestada da Mata Atlântica, em comparação ao período da análise anterior (1995 a 2000).

As informações são do Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica para o período de 2000 a 2005. Apesar de parecer uma boa notícia, a redução está longe de ser motivo de comemoração. O motivo da queda é simples: o número de árvores para cortar está cada vez menor.

"O desmatamento continua intenso nas regiões onde o bioma persiste, como em Santa Catarina e em Goiás", disse Flávio Jorge Ponzoni, coordenador do atlas e pesquisador do Inpe, à Agência FAPESP. "O desflorestamento diminuiu apenas nos estados em que praticamente não existe mais Mata Atlântica, como em São Paulo."

Dos 17 estados abrangidos pela Mata Atlântica, foram avaliados oito, que representam 60% do bioma: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,

Apenas em dois deles foi verificado aumento no desflorestamento: Goiás (18%) e Santa Catarina (8%). "O recorde de redução foi no Espírito Santo, onde a taxa de desflorestamento caiu 96%, seguido do Rio Grande do Sul, com 84%", conta Ponzoni.

Os dados são obtidos a partir de imagens de satélite georreferenciadas. Com base em técnicas de interpretação visual, os pesquisadores criam uma série de bases temáticas por meio da identificação dos remanescentes afetados pelo desmatamento e das áreas que estão conseguindo se regenerar. "O levantamento é completado com análises em campo, onde consultores de universidades auxiliam na interpretação dos mapas em cada estado", explica Ponzoni.

O pesquisador do Inpe calcula que, considerando apenas a floresta primária e as regiões em estágio avançado de regeneração, restem cerca de 7,2% do bioma original no país. "Ou seja, até hoje já foram desmatados 92,8% da Mata Atlântica, bioma que esteve presente em 15% do território nacional", afirma.

O Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica está em fase de conclusão, com a inclusão da base de dados de mais dois estados, Minas Gerais e Bahia. A meta é, até o final do ano, disponibilizar na internet o relatório completo, com imagens de satélites dos dez estados que integram o estudo, totalizando 94% do bioma.

"Todos os mapas estarão disponíveis para consulta pública, de modo a conscientizar a população e os gestores locais sobre a importância da conservação", aponta Ponzoni.

Mais informações: www.inpe.br ou www.sosma.org.br.


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