Proteção ecológica
30 de março de 2004

Brasil começa a fabricar preservativos com látex nativo da reserva Chico Mendes, no Acre, com o objetivo de substituir parte dos 600 milhões de preservativos masculinos importados e distribuídos anualmente pelo Sistema Nacional de Saúde, além de promover o desenvolvimento sustentável da região

Proteção ecológica

Brasil começa a fabricar preservativos com látex nativo da reserva Chico Mendes, no Acre, com o objetivo de substituir parte dos 600 milhões de preservativos masculinos importados e distribuídos anualmente pelo Sistema Nacional de Saúde, além de promover o desenvolvimento sustentável da região

30 de março de 2004

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), em parceria com o Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, resultou no desenvolvimento de um protótipo de preservativo feito com látex nativo da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre. Além de economizar divisas por meio da substituição das importações, o projeto pretende incrementar o desenvolvimento sustentável da região.

O trabalho consistiu em avaliar a qualidade e a viabilidade da padronização de látex extraído dos seringais para utilização como matéria-prima principal na planta industrial. O INT, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), realizou diversas coletas de látex e treinou os seringueiros da Reserva Chico Mendes.

"A idéia foi qualificar o látex da reserva para que ele pudesse ser utilizado em larga escala pela indústria nacional", disse a pesquisadora do INT, Maria Cristina Bó, coordenadora dos estudos envolvendo o produto, à Agência FAPESP.

Após análises da qualidade do látex segundo normas nacionais e internacionais de segurança, os pesquisadores fabricaram uma série-piloto de preservativos. A tecnologia de produção é a mesma aplicada em similares de fabricantes tradicionais.

As camisinhas produzidas com látex nacional já foram aprovadas no teste de segurança realizado pelo INT, por meio do seu Laboratório de Polímeros, depois de passar por testes de largura, comprimento, espessura, capacidade volumétrica, pressão ambiente, verificação de orifícios e integridade da embalagem.

Para obter a qualidade adequada e padronizar a matéria-prima, foram necessárias mudanças no corte, no horário e na utilização de novas ferramentas pelos seringueiros na extração do látex. "Para atingir nossos objetivos, mudamos a forma de extração e coleta do látex, que foram adequadas ao tipo de seringal nativo", disse Maria.

Por conta dos resultados positivos do projeto, o Ministério da Saúde, em conjunto com o Governo do Estado do Acre e a Superintendência da Zona Franca de Manaus, estão patrocinando a implantação de uma fábrica de preservativos masculinos no município de Xapuri, no Acre.

A previsão é de que, com o início da produção nacional dos preservativos, seja possível substituir, até 2006, a importação de parte dos 600 milhões de preservativos masculinos distribuídos anualmente pelo Sistema Nacional de Saúde. A meta é chegar a uma produção de 100 milhões de camisinhas, em 2005, e de 200 milhões, no ano seguinte.


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