Produção de lambari da Mata Atlântica como isca viva é possível e rentável, mostra estudo | AGÊNCIA FAPESP

Produção de lambari da Mata Atlântica como isca viva é possível e rentável, mostra estudo Pesquisadores do Instituto de Pesca desenvolveram sistema de baixo custo para criação do peixe em cativeiro. Alternativa pode evitar o uso excessivo de espécies nativas em pescarias e ainda gerar renda para populações litorâneas (foto: divulgação)

Produção de lambari da Mata Atlântica como isca viva é possível e rentável, mostra estudo

08 de dezembro de 2021

Agência FAPESP* – Estudo desenvolvido pelo Instituto de Pesca (IP) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo mostrou ser economicamente viável a criação em cativeiro de iscas vivas utilizadas em pescarias. A criação comercial é importante para reduzir o uso excessivo de algumas espécies nativas, como o camarão-branco.

A espécie escolhida pela pesquisa foi o Deuterodon iguape, conhecido como lambari da Mata Atlântica. A produção do peixe se mostrou rentável em pequena escala e com materiais de baixo custo. Baseada em sistemas de recirculação de água (SRA), a tecnologia desenvolvida contribui tanto para a geração de renda entre as populações litorâneas quanto para a preservação ambiental.

O trabalho está vinculado a projeto financiado pela FAPESP e foi publicado na revista Aquaculture, considerada referência mundial na área de produção aquícola.

Marcelo Barbosa Henriques, pesquisador do IP e coautor do trabalho, conta que o rápido crescimento da atividade de pesca esportiva no Brasil tem levado à superexploração de algumas espécies nativas usadas como isca viva. No litoral sul de São Paulo, o maior exemplo é o camarão-branco, empregado principalmente na pesca do robalo, que tem bastante importância turística.

Isso levou os especialistas a enxergar a produção de iscas em cativeiro como uma maneira de reduzir o impacto sobre as populações selvagens dos camarões. “Em um trabalho preliminar, havíamos observado que o lambari cultivado é mais barato que o camarão e também uma isca mais eficiente para a pesca de robalo”, relata Henriques.

Segundo o pesquisador, na busca por preservar os recursos hídricos, a aquicultura mundial tem focado nos SRAs, onde há troca zero de água. No entanto, apesar de eficientes do ponto de vista ambiental, as versões convencionais desses sistemas requerem equipamentos e instalações complexas, tornando-os caros para a realidade das comunidades locais.

O desafio passou a ser o desenvolvimento de um sistema que pudesse ser sustentável e, ao mesmo tempo, barato e passível de ser replicado no contexto dos pequenos produtores da região. Henriques e sua equipe conseguiram desenvolver um SRA alternativo e de menor custo, que utiliza materiais comuns encontrados no mercado, como madeira, lona plástica, papelão, bombinhas de aquário, redes de pesca usadas, baldes e tambores de plástico.

“Nossa intenção era mostrar que, em uma densidade não muito elevada, a criação de lambaris nesse sistema é uma atividade vantajosa, gerando renda para o pequeno produtor, que precisa ter um domínio total do processo para não haver mortalidade”, explica o pesquisador.

“Apostar nesse tipo de cultivo é uma forma de movimentar toda uma cadeia produtiva, composta por produtores, pescadores, fornecedores de insumos, marinas, entre outros, ajudando a fortalecer a economia local”, conclui.

* Com informações do portal do Instituto de Pesca.
 

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