Barão de Capanema introduziu no Brasil um formicida que levava seu nome para o combate a formiga saúva

Privilégios imperiais
24 de maio de 2006

Por ser amigo de D. Pedro II, o Barão de Capanema, que introduziu no país um formicida contra as saúvas, ampliou o monopólio da venda de seu produto por cerca de seis décadas, mostra estudo realizado na UFRJ

Privilégios imperiais

Por ser amigo de D. Pedro II, o Barão de Capanema, que introduziu no país um formicida contra as saúvas, ampliou o monopólio da venda de seu produto por cerca de seis décadas, mostra estudo realizado na UFRJ

24 de maio de 2006

Barão de Capanema introduziu no Brasil um formicida que levava seu nome para o combate a formiga saúva

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - A vida de Guilherme Schüch (1824-1905), o barão de Capanema, pode ser lembrada por vários motivos. Alguns lembram que esse personagem foi fundamental para o desenvolvimento científico e tecnológico do país nos tempos do Império, por causa da introdução do telégrafo.

Outros, como é o caso de Nadja Paraense dos Santos, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também destacam a questão do formicida Capanema.

A pesquisadora descobriu que, entre 1830 e 1891, foram dados no Brasil 1.924 privilégios industriais – o termo patente não existia na época. Do total, 381 eram voltados para a química e nada menos que 25 estavam destinados diretamente para o combate às formigas saúvas. Apesar do número elevado, apenas uma alternativa chegou a ser aplicada no período, o formicida Capanema.

"O barão não fez nenhum grande desenvolvimento científico ou tecnológico nesse caso. Ele apenas descobriu que o dissulfeto de carbono poderia ser aplicado contra as saúvas", explica Nadja à Agência FAPESP. Doutor em ciências físicas e matemáticas, o nobre conseguiu estender o monopólio de seu produto dos anos 1850 aos 1880.

Apesar de a lei de então prever que os detentores dos privilégios industriais deveriam receber compensação financeira do governo, isso nunca ocorreu ao longo do Império, segundo Nadja. Ainda assim, Capanema pôde aproveitar por muito tempo o fato de ser o único empresário liberado para fabricar e vender formicida, de qualquer tipo, no Brasil.

"Esses privilégios foram renovados principalmente por conta da amizade que ele tinha com o imperador D. Pedro II", explica a química e historiadora da ciência. O barão atuou em diversas outras áreas, tendo sido, por exemplo, o único comerciante de gelo no país por toda uma década.


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