Apesar de todas as evidências apontarem a Mesopotâmia como a região onde surgiram as primeiras fábricas de vidro, descobertas recentes publicadas na edição desta sexta (17/6) da revista Science podem deixar o Egito em alta. Artefatos encontrados no Delta do Nilo atestam que no local, em 1.250 a.C., funcionou uma grande fábrica de vidro.
A pesquisa realizada por uma dupla de cientistas da Europa conseguiu não apenas identificar as grandes dimensões da fábrica, como mapear a linha de produção que existia lá. No início do processo, o material bruto era colocado em vasos de cerâmica para ser aquecido, quebrado e lavado.
No segundo momento da produção, o vidro, que era transportado para outros locais em forma de lingotes, era colocado em uma espécie de cadinho para receber várias cores. O retrabalho do vidro, para a produção de vasilhames de perfumes, por exemplo, não era feito naquela fábrica.
Enquanto no início do processo a temperatura de trabalho do material não passava dos 950 graus Celsius, na segunda parte, o aquecimento chegava aos 1.100 graus Celsius. Hoje, mesmo com toda a inovação tecnológica, os vidros são produzidos a, no máximo, 1.500 graus.
A venda de vidro ou a troca desse material por outros produtos tinha um papel importante na região Mediterrânea e do Oriente Médio ao longo do fim da Idade do Bronze. No caso específico do Egito, e da fábrica agora descoberta, a disponibilidade do produto em cores vivas acrescentava muito mais ao processo econômico.
O artigo Late Bronze Age Glass Production
at Qantir-Piramesses, Egypt , de Thilo Rehren, da Universidade de Londres, e Edgard Pusch, do Museu Pelizaeus, na Alemanha, pode ser lido no site da Science, em www.sciencemag.org
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