Sargassum é uma das espécies que habita alguns dos costões rochosos paulistas
(foto: Natália Ghilardi/Biota/Fapesp)
Conhecimento sobre biodiversidade costeira do Brasil, principalmente a que vive nos substratos consolidados, é praticamente nula. Grupo da USP desenvolve novo método de pesquisa para acelerar os estudos na área
Conhecimento sobre biodiversidade costeira do Brasil, principalmente a que vive nos substratos consolidados, é praticamente nula. Grupo da USP desenvolve novo método de pesquisa para acelerar os estudos na área
Sargassum é uma das espécies que habita alguns dos costões rochosos paulistas
(foto: Natália Ghilardi/Biota/Fapesp)
Agência FAPESP - Apesar de o local de trabalho ser à beira-mar, investigar a biodiversidade dos costões rochosos nem sempre é uma tarefa fácil. Pelo método tradicional, cientistas precisam identificar espécie por espécie de um determinado substrato consolidado, o que pode demorar bastante tempo.
Essa necessidade de um esforço gigantesco ajuda a explicar, em parte, a carência de informações sobre as relações ecológicas que existem nessas zonas entremarés. Os estudos feitos até agora, apesar de bastante válidos do ponto de vista científico, costumam enfocar uma zona geográfica muito pequena.
"Pelo método que estamos testando, conseguimos mapear uma área de um quilômetro de extensão em dois dias, o que é um tempo curto", explica Flávio Berchez, professor do Instituto de Biologia da Universidade de São Paulo (IB/USP), à Agência FAPESP. Essa nova forma de abordagem está sendo desenvolvida no Brasil durante os últimos três anos.
Do ponto de vista teórico, o método está baseado em povoamentos e não mais em cada uma das espécies que estão sobre o costão. Nos testes feitos até agora, foram identificadas, dependendo da área, de uma a três espécies dominantes.
"Um dos exemplos mais fáceis de entender é o caso da existência dos bancos de Sargassum sp [algas de coloração marrom]", diz Berchez. A presença dessa espécie em uma zona costeira é bastante importante, pois ela ajuda a indicar que não existe poluição naquelas águas.
"Com esse método já conseguimos conhecer quatro quilômetros da costa brasileira. Antes do projeto estávamos praticamente na estaca zero", afirma Berchez. A motivação por saber mais e mais dos costões brasileiros é que deflagrou o projeto, financiado pela FAPESP no âmbito do Programa Biota. Até agora, todos os testes mostraram bons resultados.
Segundo o pesquisador do IB/USP, experiências com as novas metodologias foram realizadas no litoral centro e norte de São Paulo e no Espírito Santo. "O desconhecimento da biodiversidade presente nos substratos consolidados foi o que mais me impressionou", conta.
Além disso, explica o pesquisador, a técnica permite obter um amplo panorama da situação dos costões brasileiros, o que seria muito importante para o futuro. "Em São Sebastião, por exemplo, fala-se muito sobre a contaminação do canal, mas não temos meios para comparar como a biodiversidade estava distribuída no mesmo local no passado", diz.
Apesar de esse novo tipo de estudo de um costão rochoso ser feito com relação a apenas alguns grupos específicos de seres vivos, e também com um método visual de análise, ele está longe de ser subjetivo. "Além de várias outras etapas, tudo é feito também com base em pontos georeferenciados. É possível voltar depois ao campo e, com erro de até 8 metros, encontrar o mesmo povoamento descrito anteriormente", afirma Berchez.
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