Valmir Ortega, do Ibama, anuncia programa para povoar unidades de conservação de ciência (foto: E.Geraque)

Povoamento científico
19 de julho de 2006

Ibama anuncia programa para povoar unidades de conservação de ciência. Com recursos do fundo de compensação ambiental, instituição vai liberar até R$ 10 milhões por ano para pesquisas

Povoamento científico

Ibama anuncia programa para povoar unidades de conservação de ciência. Com recursos do fundo de compensação ambiental, instituição vai liberar até R$ 10 milhões por ano para pesquisas

19 de julho de 2006

Valmir Ortega, do Ibama, anuncia programa para povoar unidades de conservação de ciência (foto: E.Geraque)

 

Por Eduardo Geraque, de Florianópolis

Agência FAPESP - O Ibama anunciou nesta terça-feira (18/7), na 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a criação de um programa que tem como objetivo principal povoar as unidades de conservação do Brasil de pesquisas científicas. O primeiro edital dessa iniciativa será publicado em um mês.

"Não há como o Ibama cumprir a missão de proteger a biodiversidade do país sem um manejo e uma gestão adequada das mais de 60 unidades de conservação atuais. Por isso, precisamos de pesquisas voltadas para esse objetivo também", disse Valmir Ortega, diretor de ecossistemas do instituto, à Agência FAPESP.

As novas intenções do órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) foram apresentadas durante o debate "O desafio da integração da ciência com o manejo das unidades de conservação", que durou quase quatro horas. Na mesa, entre personalidades conhecidas da comunidade científica estava o ambientalista Paulo Nogueira Neto.

Segundo Ortega, a expectativa do governo é que até R$ 10 milhões por ano estejam disponíveis para o novo programa. Os recursos serão destinados a bolsas de pesquisa no âmbito de graduação e pós-graduação e de apoio direto a pesquisa. "O dinheiro terá como origem o fundo de compensação ambiental", disse. Por lei, todo empreendimento que provoque algum impacto sobre o meio ambiente deve reverter 0,5% de seu investimento para o fundo.

"O primeiro edital será destinado ao Cerrado. Deveremos dispor, nesse caso, de R$ 5,5 milhões para pesquisas", afirmou Ortega. Como nem todas as unidades de conservação, por variados motivos de ordem econômica e de infra-estrutura, podem receber pesquisadores neste momento, não são todas que estarão aptas para entrar no programa.

Além das áreas, estão definidas também as linhas de pesquisa que serão aceitas nesse primeiro passo. "Vamos dar preferência para as pesquisas relacionadas com o manejo de espécies invasoras e de comunidades-chave para a área, além de estudos sobre os impactos da visitação pública nas unidades", disse Ortega.


Desburocratização

Não é apenas com o novo programa que o Ibama pretende levar o pesquisador brasileiro para o interior das unidades de conservação. Um novo regulamento para normatizar as coletas de material científico deverá ficar pronto até setembro, segundo Ortega.

Na sessão em Florianópolis, falando pela comunidade científica, Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emilio Goeldi, foi enfática. "Da forma que está não podemos continuar. O desestímulo, por causa da burocracia, está muito grande", desabafou.

Também faz parte da estratégia do governo federal para estimular pesquisas em área de proteção integral – os primeiros editais serão voltados apenas para essa categoria de unidade ambiental – o lançamento de uma revista eletrônica.

"Com todas essas ações, nosso objetivo é criar um ciclo virtuoso com os pesquisadores, que deve ser construído em conjunto", disse Ortega.

A publicação poderá ser consultada pelo endereço www.ibama.gov.br/revistauc.


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