Nova pesquisa explica por que as grávidas têm 20 vezes mais chances de ter listeriose. Bactéria usa a placenta como abrigo para se proliferar e infectar outros órgãos (foto: Fiocruz)

Porto seguro e perigoso
05 de julho de 2006

Nova pesquisa explica por que as grávidas têm 20 vezes mais chances de ter listeriose. Bactéria usa a placenta como abrigo para se proliferar e infectar outros órgãos

Porto seguro e perigoso

Nova pesquisa explica por que as grávidas têm 20 vezes mais chances de ter listeriose. Bactéria usa a placenta como abrigo para se proliferar e infectar outros órgãos

05 de julho de 2006

Nova pesquisa explica por que as grávidas têm 20 vezes mais chances de ter listeriose. Bactéria usa a placenta como abrigo para se proliferar e infectar outros órgãos (foto: Fiocruz)

 

Agência FAPESP - A listeriose é uma doença grave que atinge especialmente mulheres grávidas, com risco 20 vezes maior do que nos demais adultos. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, encontrou uma explicação para tamanha discrepância.

Transmitida pela bactéria Listeria monocytogenes, a doença tem início com sintomas parecidos com o da gripe. Mas, quando a infecção atinge o sistema nervoso, pode provocar parto prematuro ou aborto espontâneo, especialmente nos primeiros meses de gravidez. Pode também causar meningite no recém-nascido.

A listeriose também afeta adultos com sistemas imunológicos comprometidos, que podem desenvolver gastroenterite febril aguda. É adquirida pelo consumo de alimentos contaminados, como hortaliças mal lavadas ou carne mal cozida. Muito se sabe sobre a doença, mas o motivo do maior risco para as grávidas nunca ficou claro.

O estudo agora divulgado sugere que a L. monocytogenes primeiro invade a placenta onde, protegida pelo sistema imunológico humano, se prolifera rapidamente antes de sair e infectar outros órgãos.

A pesquisa, feita em porcos-da-índia, é a primeira a traçar um caminho para a infecção e derruba a idéia que se tinha de que o aumento no risco da doença seria causado por mudanças no sistema imunológico durante a gravidez. Os autores escolheram o porco-da-índia pelas semelhanças da placenta do animal com a da mulher.

"O motivo de a mãe ser mais suscetível não é necessariamente porque seu sistema imunológico está comprometido. E sim pelo fato da bactéria alojada na placenta causar a infecção. Os abortos resultantes dessas infecções podem ser um mecanismo natural de defesa contra a fonte de infecção", disse Anna Bakardjiev, principal autora da pesquisa publicada na revista PLoS Pathogens.

De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças, do governo norte-americano, um em cada cinco casos de listeriose resulta em morte.

O artigo Listeria monocytogenes traffics from maternal organs to the placenta and back, de Anna I. Bakardjiev, Julie A. Theriot, Daniel A. Portnoy, publicado na edição de junho da PLoS Pathogens, pode ser lido gratuitamente em pathogens.plosjournals.org.


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