Plataformas habitadas
03 de julho de 2006

Estudo realizado na Califórnia mostra que plataformas de petróleo funcionam como abrigo para peixes. Oito unidades respondem por 1% de todos os indivíduos jovens do gênero Sabastes no Pacífico

Plataformas habitadas

Estudo realizado na Califórnia mostra que plataformas de petróleo funcionam como abrigo para peixes. Oito unidades respondem por 1% de todos os indivíduos jovens do gênero Sabastes no Pacífico

03 de julho de 2006

 

Agência FAPESP - É quase natural enxergar uma plataforma de petróleo em alto-mar como algo deslocado daquele ambiente. Ainda mais que, por causa do trabalho feito ali, elas representam uma potencial fonte contaminadora.

Mas tal noção pode começar a mudar. O motivo é um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, que analisaram a vida marinha nas proximidades de oito plataformas de petróleo da costa do país.

Os resultados, apresentados no Fisheries Bulletin, publicação editada pelo governo norte-americano, mostram que as plataformas de extração de petróleo não são mais encaradas como estranhas, pelo menos por uma determinada população de peixes.

A estimativa é que pelo menos 430 mil indivíduos juvenis do gênero Sabastes habitem os locais das oito plataformas. O número é significativo, pois representa 1% de toda a população do tipo no oceano Pacífico. Os pesquisadores analisaram particularmente exemplares jovens, definidos com até 20 centímetros de comprimento, por representarem berçários do gênero.

O Sabastes habita geralmente rochedos duros ou recifes coralinos e costuma viver até os 50 anos. Da mesma forma como ocorre com vários outros tipos de peixes oceânicos, ele também está sendo drasticamente reduzido.

A troca de casa, segundo Milton Love, biólogo marinho e principal autor do estudo, pode ser bem explicada. O substrato oferecido pelas plataformas é sólido, como no ambiente natural dos peixes. Além disso, como as correntes marinhas costumam circular com velocidade por essas zonas abertas, a falta de alimento não é problema.

Outro ponto positivo: os jovens podem ser protegidos com mais facilidade nas plataformas do que nos corais, segundo Love. "Os recifes naturais são pequenos e a quantidade de predadores é maior. Além disso, as plataformas costumam atravessar toda a coluna de água", disse.

O artigo – de número 383 – pode ser lido gratuitamente (em pdf) no endereço: fishbull.noaa.gov/1043/1043toc.htm.


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