Sistema permite resolver disparidades nos dados divulgados por diferentes satélites, que variam em resolução, periodicidade e tecnologia (Léo Ramos Chaves/Pesquisa FAPESP)
Digital Amazon, uma iniciativa do RCGI, um Centro de Pesquisa Aplicada da FAPESP, unifica informações de satélites, torres e sensores, permitindo análises aprofundadas sobre emissões e absorções de CO2
Digital Amazon, uma iniciativa do RCGI, um Centro de Pesquisa Aplicada da FAPESP, unifica informações de satélites, torres e sensores, permitindo análises aprofundadas sobre emissões e absorções de CO2
Sistema permite resolver disparidades nos dados divulgados por diferentes satélites, que variam em resolução, periodicidade e tecnologia (Léo Ramos Chaves/Pesquisa FAPESP)
Agência FAPESP * – A Digital Amazon, plataforma que integra dados sobre emissões e absorções de gases de efeito estufa da floresta amazônica, já está disponível ao público. Desenvolvida no âmbito do projeto “Emissão de gases de efeito estufa na Amazônia: sistema de análise de dados e serviço”, do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), a ferramenta reúne informações dos nove países amazônicos e permite analisar, de forma integrada, a dinâmica regional dos gases de efeito estufa (GEEs).
O RCGI é um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) constituído com apoio da FAPESP, da Shell e participação de outras empresas, com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).
“Trata-se da primeira plataforma a reunir, de forma integrada, dados de satélite, torres de medição e outros sensores sobre o ciclo de carbono na floresta amazônica. Isso representa um avanço fundamental para a ciência e para a formulação de políticas públicas eficazes frente às mudanças climáticas”, afirma Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e coordenador do projeto.
A Digital Amazon organiza dados fundamentais para compreender o papel da Amazônia na dinâmica global dos GEEs – em especial dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) – a partir de uma base unificada de informações antes dispersas. Essa centralização permite que tarefas que antes exigiam dias de preparação e organização agora sejam concluídas em poucos minutos, aumentando significativamente a produtividade dos pesquisadores.
O sistema também permite resolver disparidades nos dados divulgados por diferentes satélites, que variam em resolução, periodicidade e tecnologia. Algumas análises possíveis incluem o impacto da degradação florestal nas emissões; os efeitos de El Niño e La Niña nas concentrações atmosféricas de GEEs; o cálculo das emissões de metano em áreas alagadas; e os efeitos da expansão agropecuária e das mudanças no regime de chuvas sobre os processos fotossintéticos da floresta.
Os dados cobrem inicialmente o período entre 2003 e 2017, reunindo informações obtidas por satélites, torres como a Amazon Tall Tower Observatory, sensores de superfície e bancos de dados meteorológicos e ambientais. O próximo passo é atualizar a base até 2024, o que ampliará o alcance temporal das análises e reforçará o monitoramento contínuo da região.
Big data ambiental
A Digital Amazon é um data space, ou seja, uma estrutura digital voltada à integração e ao tratamento inteligente de grandes volumes de dados complexos. No caso, integrar e organizar dados ambientais de diferentes origens e formatos – como satélites, sensores terrestres e torres de medição – em um ambiente unificado, com curadoria, rastreabilidade e interoperabilidade.
“Toda essa infraestrutura está hospedada na nuvem da Amazon Web Services, o que garante acesso remoto, escalabilidade e segurança. Isso permite análises robustas e abre caminho para o uso de inteligência artificial em buscas, inferências e tomada de decisão. Trata-se de uma aplicação concreta dos princípios de big data voltada à complexidade da floresta amazônica”, afirma José Reinaldo Silva, professor da Poli-USP e vice-coordenador do projeto.
Entre os próximos avanços previstos está o desenvolvimento de um visualizador intuitivo, voltado para usuários não especialistas. Como complemento às torres fixas e aos satélites, foram desenvolvidos protótipos de drones capazes de coletar dados atmosféricos em áreas remotas da floresta. A proposta é operar os drones a partir de barcaças na bacia amazônica, ampliando o acesso a regiões de difícil cobertura terrestre.
O sistema já está preparado para sincronizar com outros bancos de dados e poderá ser integrado, futuramente, a plataformas internacionais como o Global Forest Watch. Também estão previstos relatórios periódicos com análises interpretativas, voltados à formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
“Nosso objetivo é oferecer uma infraestrutura robusta para que pesquisadores, gestores públicos e membros da sociedade civil possam acompanhar em detalhe o papel da floresta amazônica no balanço global de carbono”, afirma Silva. “Agora que temos uma estrutura tecnológica sólida, buscamos apoio para a continuidade e ampliação do projeto.”
A Digital Amazon pode ser acessada pelo site do RCGI, com liberação de diferentes níveis de acesso conforme o perfil do usuário.
* Com informações do RCGI.
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