Pesquisas aplicadas à arte beneficiam tanto a ciência quanto a cultura | AGÊNCIA FAPESP

Pesquisas aplicadas à arte beneficiam tanto a ciência quanto a cultura Em evento on-line realizado pela FAPESP e o Instituto do Legislativo Paulista, pesquisadores contam como utilizaram tecnologias para a restauração de patrimônios públicos e como dois campos aparentemente distintos podem se unir na nanoarte

Pesquisas aplicadas à arte beneficiam tanto a ciência quanto a cultura

30 de setembro de 2022

André Julião | Agência FAPESP – Avanços da física, principalmente, mas também da informática, entre outras áreas, têm sido cada vez mais requisitados pelo mundo da arte. Em São Paulo, raios laser e técnicas de microscopia eletrônica foram utilizados, respectivamente, na restauração do Museu do Ipiranga e do quadro Independência ou Morte, enquanto uma grande capacidade computacional foi posta à disposição do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) para armazenar seu acervo digital. Em São Carlos, cientistas-artistas transformam parte de suas pesquisas na chamada nanoarte e divulgam a ciência de materiais mundo afora.

Os temas foram debatidos durante a mais recente edição do Ciclo ILP-FAPESP, ocorrida no dia 26/09 e que teve como tema “Ciência, Tecnologia e Inovação na Cultura”. Os seminários on-line são uma parceria entre o Instituto do Legislativo Paulista (ILP) e a FAPESP.

“Nas ações em bens culturais, protegidos ou não por lei, a ciência tem papel essencial e essa relevância é conhecida há muito tempo. Mas a relação entre cultura e ciência nesse campo específico nem sempre foi tranquila, pois elas têm abordagens diferentes do mesmo problema. Essa diversidade de visões nunca deveria ser reduzida à banalidade de uma alternativa a uma coisa ou outra, mas sim tratada de modo complexo, conjugando diversos pontos de vista”, disse Beatriz Mugayar Kühl, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

A pesquisadora falou do projeto de escaneamento a laser do Museu do Ipiranga, que forneceu detalhes da construção, permitindo o restauro e a ampliação. O projeto teve apoio da FAPESP por meio de bolsa de doutorado direto para Renata Cima Campiotto na FAU-USP.

O museu foi reinaugurado em setembro, em comemoração aos 200 anos da Independência. A obra mais emblemática do acervo, o quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo (1842-1905), também passou por restauração como parte da celebração da efeméride.

Num projeto apoiado pela FAPESP, pesquisadores do Instituto de Física (IF) da USP utilizaram distintas técnicas para analisar as diferentes camadas do quadro de grandes dimensões (4,15 por 7,60 metros) (leia mais em: agencia.fapesp.br/32557/).

As análises permitiram determinar as cores originais do quadro e identificar vestígios de restauros antigos. Além disso, mostraram o processo de criação do artista, evidenciando partes que foram retiradas da versão final da obra.

“Além das técnicas espectroscópicas, usamos a reflectografia de infravermelho. Ela incide sobre uma obra e tem uma câmera especial em que é possível captar tudo o que é refletido pelo infravermelho. Essa técnica revela desenhos subjacentes, ou seja, tudo que foi feito a grafite ou a carvão se torna visível e o traço inicial pode ser detectado”, explicou Marcia Rizzutto, professora do IF-USP que é uma das pesquisadoras principais do projeto, coordenado por Ana Gonçalves Magalhães, diretora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP).

Magalhães falou sobre a preservação do acervo digital do MAC, que ainda na década de 1970 passou a incorporar videoarte e que hoje demanda uma grande quantidade de servidores para armazenar essas e outras obras.

“Estamos falando de uma infraestrutura de tecnologia da informação bem robusta. Isso só foi possível porque a USP investiu, a partir de 2013, num datacenter, que permitiu que o MAC tivesse backups e repositórios, discos digitais para conservação do seu acervo digital, além do acesso às informações e aos bancos de dados de catalogação”, contou a pesquisadora.

Nanoarte

Enquanto as palestrantes versaram sobre o uso de ciência e tecnologia para lidar com obras de arte, Ricardo Tranquilin, pesquisador associado do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), falou sobre as obras de arte produzidas pelos próprios cientistas do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

“A nanoarte é uma expressão artística recente, oriunda da nanotecnologia. São as imagens de materiais obtidos por intermédio de microscopia eletrônica, que utiliza microscópios de alta precisão. Dessa forma, tenta-se unir ciência e arte para transformar essas formas complexas em mais simples, proporcionando maior entendimento da origem dos materiais sintetizados em laboratório”, afirmou o pesquisador, que ressaltou ainda os inúmeros concursos internacionais e exposições de que o grupo participou ao longo dos anos.

O seminário teve ainda a participação de Paula Schneider, analista legislativa do ILP, Jair Pires de Borba Junior, gestor da divisão de biblioteca e acervo histórico da Alesp, e Horácio Forjaz, gerente de Relações Institucionais da FAPESP.

A íntegra das apresentações pode ser vista em: https://youtu.be/qxmWXQoqdk4.

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