Para Carlos Nobre, do Inpe, pesquisas sobre grandes dilemas do planeta só avançarão a partir de abordagens que agreguem múltiplas ciências (foto: Unicamp)

Paradigma em construção
21 de julho de 2006

Pesquisadores de diversas áreas se encontram em Florianópolis para discutir como a interdisciplinaridade pode ser benéfica para a produção do conhecimento na pós-graduação

Paradigma em construção

Pesquisadores de diversas áreas se encontram em Florianópolis para discutir como a interdisciplinaridade pode ser benéfica para a produção do conhecimento na pós-graduação

21 de julho de 2006

Para Carlos Nobre, do Inpe, pesquisas sobre grandes dilemas do planeta só avançarão a partir de abordagens que agreguem múltiplas ciências (foto: Unicamp)

 

Por Karin Fusaro, de Florianópolis

Agência FAPESP - A pós-graduação está estudando estratégias que sejam eficientes para a troca de conhecimento e a construção do saber entre as diversas disciplinas das ciências, a chamada interdisciplinaridade.

"A interdisciplinaridade traz, por excelência, uma visão de parceria, uma vez que não é possível desenvolvê-la ou praticá-la sem diálogo", disse Arlindo Philippi Júnior, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), no encontro "Interdisciplinaridade na pós-graduação brasileira", realizado na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que termina nesta sexta-feira (21/7), em Florianópolis.

Apesar de a prática interdisciplinar não ser nova, debates sobre direcionamento e intensificação na pós-graduação, segundo especialistas, têm surgido da necessidade de tratar temas que envolvam mais de uma ciência, como a questão ambiental ou a saúde pública.

Para Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que se dedica à questão amazônica, pesquisas sobre grandes dilemas do planeta, entre os quais a segurança energética ou o aquecimento global, só avançarão a partir de abordagens que agreguem múltiplas ciências.

Mas, por mais paradoxal que possa parecer, a interdisciplinaridade exige que sejam tratadas as diferentes áreas do conhecimento com especificidade. "Ela existirá inserida nos campos do saber. Por exemplo, a interdisciplinaridade na química, na história e assim por diante", afirmou Philippi.

Segundo o pesquisador da USP, é preciso destacar que praticar a interdisciplinaridade e atuar com ela exige um esforço de se abandonar o conforto disciplinar, no qual o pesquisador tem o domínio do "saber fazer".

"Precisamos pensar de que maneira enfrentaremos a ‘disputa’ de espaço com os colegas de outras disciplinas. Nisso também será preciso uma boa dose de coragem para desafiar as escalas de poder na área científica", disse Philippi.


  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.