O homem se diferencia da maioria dos primatas por manter uma sensibilidade auditiva de 2 kHz a 4 kHz, faixa de freqüência que inclui a informação transmitida por meio da linguagem falada. Em comparação, o ouvido do chimpanzé está adaptado a funcionar em dois picos, a 1 kHz e a 8 kHz.
Para tantar estimar quando, na escala evolutiva, o homem adquiriu a capacidade auditiva moderna, a equipe liderada por Ignacio Martinez, do Departamento de Geologia da Universidade de Alcalá, analisou a influência das estruturas ósseas na filtragem acústica do ouvido interno e externo em fósseis. Os crânios, de hominídeos que viverem no período Pleistoceno, há 1,8 milhão de anos, foram descobertos no sítio arqueológico Sima de los Huesos, na Espanha.
Por meio de diversos testes e medições, os pesquisadores concluíram que a capacidade auditiva dos hominídeos estava entre 3 kHz e 5 kHz, similar à do homem moderno. Como os fósseis fazem parte da linha evolutiva do Neandertal e não estão diretamente ligados ao homem moderno, os autores sugerem que um ancestral comum, que teria vivido há cerca de 500 mil anos, pode ter tido sua capacidade auditiva evoluída para a faixa da linguagem falada.
PNAS: www.pnas.org
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