Estudo conduzido com 29 mil pessoas em 52 países conclui que mais de 90% dos ataques do coração podem ser previstos por fatores fáceis de serem medidos (ilust.: USC)

Nove pontos do infarto

Estudo conduzido com 29 mil pessoas em 52 países conclui que mais de 90% dos ataques do coração podem ser previstos por fatores fáceis de serem medidos e que são os mesmos para praticamente todas as habitantes do planeta

02 de setembro de 2004
Nove pontos do infarto

Estudo conduzido com 29 mil pessoas em 52 países conclui que mais de 90% dos ataques do coração podem ser previstos por fatores fáceis de serem medidos e que são os mesmos para praticamente todas as habitantes do planeta

02 de setembro de 2004

Estudo conduzido com 29 mil pessoas em 52 países conclui que mais de 90% dos ataques do coração podem ser previstos por fatores fáceis de serem medidos (ilust.: USC)

 

Agência FAPESP - Nove fatores. A grande maioria dos ataques do coração pode ser prevista por nove fatores, muito fáceis de serem medidos e que são os mesmos para praticamente todas as habitantes do planeta, não importando a região ou grupo étnico ao qual pertençam.

A conclusão é de uma pesquisa feita por instituições canadenses com 29 mil pessoas, em 52 países. O grande estudo, chamado de Interheart, foi apresentado no domingo (29/8), em conferência da Sociedade Européia de Cardiologia, na Alemanha, por Salim Yusuf, da Universidade McMaster, no Canadá, que coordenou o trabalho. Os resultados serão publicados na edição de 11 de setembro da revista The Lancet.

Os pesquisadores verificaram que os dois mais importantes fatores de risco são o fumo e uma proporção anormal de lipídios sangüíneos (apolipoproteína B/apolipoproteína A1), que juntos representam dois terços do risco global de infartos. Os outros fatores são: pressão alta; diabetes; obesidade; estresse; baixo consumo de frutas e vegetais; falta de exercícios físicos. O nono ponto encontrado foi o do consumo regular de pequenas doses de álcool, hábito considerado pelo estudo como "modestamente protetivo".

Em todo o mundo, esses nove fatores somados correspondem a mais de 90% dos riscos de ataques do coração, segundo a pesquisa. O estudo, um dos mais abrangentes já feitos, envolveu dois grupos: o primeiro com 15.152 indivíduos que tiveram o primeiro infarto e o segundo com 14.820 outros sem problemas cardíacos. Para cada pessoa do primeiro grupo, foi escolhida outra do segundo com mesma idade e gênero e que morava na mesma cidade no momento da pesquisa.

Segundo os envolvidos, trata-se do primeiro estudo de grande dimensão feito para examinar se os fatores de risco para infartos teriam um impacto similar ou não em grupos diferentes ao redor do mundo. A pesquisa incluiu 7 mil europeus ou descendentes, 2 mil latino-americanos, 6 mil chineses, 6 mil representantes de outros países asiáticos, 3,5 mil árabes e 1,4 mil africanos.

Segundo Yusuf, o líder da pesquisa, acreditava-se anteriormente que apenas metade dos riscos poderiam ser previstos, mas os resultados mostraram que a proporção é muito maior, aproximando-se da totalidade.

"Esses fatores de risco prevêem a grande maioria dos riscos em virtualmente cada região, grupo étnico, homem, mulher, idoso ou jovem. Isso sugere que a mensagem de prevenir doenças cardiovasculares pode ser muito simples e muito parecida em todo o mundo", disse em comunicado da Universidade McMaster. "O mais notável é que isso significa que somos capazes de prenenir a maioria dos ataques do coração prematuros."

O estudo Interheart foi financiado pelos Institutos de Pesquisa em Saúde do Canadá e outras 38 instituições e empresas, além de ter recebido apoio da Organização Mundial de Saúde e da Rede Internacional de Epidemiologia Clínica.


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