O norte-americano W. Ripley Ballou fala sobre os resultados da vacina contra malária que vem sendo aplicada em países africanos (foto: W.Castilhos)

Nova estratégia
04 de maio de 2006

O norte-americano W. Ripley Ballou fala sobre os resultados da vacina contra malária que vem sendo aplicada em países africanos. A doença atinge 600 milhões de pessoas no mundo a cada ano

Nova estratégia

O norte-americano W. Ripley Ballou fala sobre os resultados da vacina contra malária que vem sendo aplicada em países africanos. A doença atinge 600 milhões de pessoas no mundo a cada ano

04 de maio de 2006

O norte-americano W. Ripley Ballou fala sobre os resultados da vacina contra malária que vem sendo aplicada em países africanos (foto: W.Castilhos)

 

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP - Há mais de 20 anos, o pesquisador norte-americano W. Ripley Ballou, vice presidente de um instituto para o desenvolvimento de vacinas de doenças emergentes, iniciou uma pesquisa para desenvolvimento de uma vacina contra a malária, doença que atinge cerca de 600 milhões de pessoas no mundo a cada ano, matando mais de 1 milhão, principalmente crianças com menos de 5 anos de idade.

"A dificuldade maior em achar uma vacina contra o parasita da malária é que ele vive em simbiose com o homem. A doença não é como o sarampo, em que, uma vez infectada, a pessoa fica imune a ela. Com a malária, você pode se reinfectar muitas vezes. Depois de tratadas, as pessoas parecem ficar saudáveis, e é este o tipo de ‘imunidade’ da malária", afirmou Ballou durante o 1º Simpósio Internacional de Imunobiológicos e Saúde Humana, que está sendo realizado no Rio de Janeiro até 4 de maio e comemora os 30 anos de Bio-Manguinhos, a unidade produtora de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"Aprendemos que, para tornar a pessoa imune, temos que usar no imunizante não apenas um pedaço do parasita, como fazem as abordagens tradicionais, mas sim devolvê-lo ao organismo. O parasita da malária tem o poder de se esconder. Ele está no sangue, mas nem percebemos", explica. A abordagem da equipe foi trazer o parasita à luz, o que foi possível graças ao uso de uma substância conhecida como AS02.

Em 1995, 12 anos após o início de suas pesquisas, Ballou iniciou os testes clínicos com a vacina RTS,S (nome do antígeno)/AS02 (adjuvante). "Levamos 15 anos para desenvolvê-la. Os testes foram feitos com sete pessoas, das quais seis ficaram protegidas contra a doença", disse à Agência FAPESP.

Em 2000, a equipe aplicou a vacina em mais cem pessoas, das quais, segundo o pesquisador, 45% ficaram completamente protegidas e o restante parcialmente protegido.

"Quando o mosquito vetor da malária pica uma pessoa, ele deposita 50 parasitas, os quais se deslocam para o fígado. Após uma semana, cada um deles se multiplica em 2 milhões até 10 milhões e vão para o sangue. Nossa estratégia é bloquear o parasita enquanto ele está no fígado. Desse modo, o antígeno funciona antes que a infecção chegue ao sangue", contou.

Em 2002, Ballou testou a vacina em cerca de 200 crianças em Moçambique. "Nós as imunizamos durante o inverno. No verão, época de pico dos casos de malária, houve uma redução de cerca de 35% nos casos da doença no país, além de um decréscimo de 50% de casos mais graves", disse.

Atualmente, a vacina está sendo testada em países da África subsaariana, como Gana, Senegal, Quênia e Moçambique.

Mais informações sobre o Simpósio Internacional de Imunobiológicos e Saúde Humana: www.bio.fiocruz.br/simposio.


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