Norte-americanos têm menos amigos
26 de junho de 2006

Estudo conclui que círculo de confidentes encolheu quase um terço nos EUA de 1985 para 2004 e que uma em cada quatro pessoas simplesmente não tem com quem discutir assuntos importantes

Norte-americanos têm menos amigos

Estudo conclui que círculo de confidentes encolheu quase um terço nos EUA de 1985 para 2004 e que uma em cada quatro pessoas simplesmente não tem com quem discutir assuntos importantes

26 de junho de 2006

 

Agência FAPESP - Os norte-americanos têm cada vez menos amigos e estão cada vez mais isolados. Segundo um estudo feito por sociólogos das universidades do Arizona e Duke, nos Estados Unidos, o círculo de confidentes encolheu dramaticamente nas duas últimas décadas e o número de pessoas que afirmam não ter com quem discutir assuntos importantes mais do que dobrou no mesmo período.

"As evidências também indicam que, hoje, tais laços são mais familiares do que costumavam ser", disse Lynn Smith-Lovin, da Universidade de Duke e uma das autoras do estudo publicado na edição de junho da American Sociological Review, periódico oficial da Associação Sociológica Norte-Americana.

"Essas mudanças indicam algo que não é bom para nossa sociedade. Laços com uma rede próxima de pessoas criam uma zona de segurança e levam ao engajamento civil e à ação política localizada", disse a pesquisadora.

O estudo marca o primeiro levantamento representativo sobre o assunto feito no país em duas décadas. A pesquisa comparou dados de 1985 a 2004 e verificou que o número médio de pessoas com quem os norte-americanos discutem assuntos importantes caiu quase um terço no período, de 2,94 pessoas para 2,08. Em 2004, quase um em cada quatro entrevistados disse não ter confidentes.

Tanto os confidentes familiares quanto os não familiares caíram, mas a maior queda ficou com esse segundo círculo. De acordo com os pesquisadores, as relações sociais dos norte-americanos representam "um conjunto de laços densamente conectados, fechados e homogêneos, fechando-se lentamente em si mesmo, tornando-se cada vez menor e mais focado nos fortes laços da família nuclear".

Os autores do estudo especulam que mudanças nas comunidades e nas famílias, como o aumento do número de horas trabalhadas e a influência cada vez maior da internet, podem estar contribuindo para o cenário constatado.

As diminuições nos círculos de confidentes foram consideradas surpreendentes pelos pesquisadores, que pretendem fazer novas análises sobre o assunto.


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