Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca que, apesar de ter construído uma base acadêmica forte, o Brasil ainda não conseguiu inserir pesquisadores na indústria (foto: K.Fusaro)
Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca na reunião da SBPC que, apesar de ter construído uma base acadêmica forte, o Brasil ainda não conseguiu inserir pesquisadores na indústria, fator essencial para o desenvolvimento
Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca na reunião da SBPC que, apesar de ter construído uma base acadêmica forte, o Brasil ainda não conseguiu inserir pesquisadores na indústria, fator essencial para o desenvolvimento
Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca que, apesar de ter construído uma base acadêmica forte, o Brasil ainda não conseguiu inserir pesquisadores na indústria (foto: K.Fusaro)
Agência FAPESP - Todo país desenvolvido investe na pesquisa feita dentro da indústria e essa é uma premissa para que uma nação cresça. A afirmação foi feita por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, na conferência "A empresa, a universidade e a pesquisa", durante a 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Florianópolis.
"O Brasil construiu uma base acadêmica forte, mas ainda não conseguiu inserir a pesquisa na indústria. E isso está na raiz das dificuldades em se converter conhecimento em desenvolvimento", disse.
Ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Brito Cruz aponta alguns motivos que impedem o Brasil de mudar a situação. Entre eles estão a economia excessivamente fechada e a falta de ambição na conquista de mercado internacional. "O grande motor da indústria é a competição. Sem a necessidade de gerar produtos inovadores para ganhar mercado dos concorrentes a indústria não avança", disse.
Segundo Brito Cruz, a ambição tecnológica no Brasil é introvertida. A eleição eletrônica, por exemplo, era para ter se tornado mundial. No entanto, "o país não teve capacidade de comunicar e de negociar a idéia mundialmente. Outros vão acabar ganhando com ela", disse.
A instabilidade econômica também prejudica a capacidade de investimentos de longo prazo, o que é necessário quando se trata de investigação científica e tecnológica. Outra instabilidade brasileira, a política, que não propõe um projeto de Estado para avançar tecnologicamente, torna a pesquisa muito restrita à universidade.
De acordo com o diretor científico da FAPESP, no Brasil ainda se tem a ilusão de que a universidade vai substituir a pesquisa que seria feita pela indústria, a chamada transferência de tecnologia. "Essa não é uma política vantajosa, porque desvia a universidade do seu papel de investigar o conhecimento e formar recursos humanos", disse.
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