Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca que, apesar de ter construído uma base acadêmica forte, o Brasil ainda não conseguiu inserir pesquisadores na indústria (foto: K.Fusaro)

Na linha de produção
19 de julho de 2006

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca na reunião da SBPC que, apesar de ter construído uma base acadêmica forte, o Brasil ainda não conseguiu inserir pesquisadores na indústria, fator essencial para o desenvolvimento

Na linha de produção

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca na reunião da SBPC que, apesar de ter construído uma base acadêmica forte, o Brasil ainda não conseguiu inserir pesquisadores na indústria, fator essencial para o desenvolvimento

19 de julho de 2006

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca que, apesar de ter construído uma base acadêmica forte, o Brasil ainda não conseguiu inserir pesquisadores na indústria (foto: K.Fusaro)

 

Por Karin Fusaro, de Florianópolis

Agência FAPESP - Todo país desenvolvido investe na pesquisa feita dentro da indústria e essa é uma premissa para que uma nação cresça. A afirmação foi feita por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, na conferência "A empresa, a universidade e a pesquisa", durante a 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Florianópolis.

"O Brasil construiu uma base acadêmica forte, mas ainda não conseguiu inserir a pesquisa na indústria. E isso está na raiz das dificuldades em se converter conhecimento em desenvolvimento", disse.

Ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Brito Cruz aponta alguns motivos que impedem o Brasil de mudar a situação. Entre eles estão a economia excessivamente fechada e a falta de ambição na conquista de mercado internacional. "O grande motor da indústria é a competição. Sem a necessidade de gerar produtos inovadores para ganhar mercado dos concorrentes a indústria não avança", disse.

Segundo Brito Cruz, a ambição tecnológica no Brasil é introvertida. A eleição eletrônica, por exemplo, era para ter se tornado mundial. No entanto, "o país não teve capacidade de comunicar e de negociar a idéia mundialmente. Outros vão acabar ganhando com ela", disse.

A instabilidade econômica também prejudica a capacidade de investimentos de longo prazo, o que é necessário quando se trata de investigação científica e tecnológica. Outra instabilidade brasileira, a política, que não propõe um projeto de Estado para avançar tecnologicamente, torna a pesquisa muito restrita à universidade.

De acordo com o diretor científico da FAPESP, no Brasil ainda se tem a ilusão de que a universidade vai substituir a pesquisa que seria feita pela indústria, a chamada transferência de tecnologia. "Essa não é uma política vantajosa, porque desvia a universidade do seu papel de investigar o conhecimento e formar recursos humanos", disse.


  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.