Estudo afirma que a diversidade facial ocorreu principalmente por modificações genéticas (detalhe do crânio do Australopithecus africanus. Foto de R. R. Ackerman/PNAS)

Mutações faciais
14 de dezembro de 2004

Em estudo publicado na PNAS, pesquisadores dos EUA e da África do Sul afirmam que a diversidade facial do homem ocorreu não apenas por forças evolucionárias, mas principalmente devido a modificações genéticas

Mutações faciais

Em estudo publicado na PNAS, pesquisadores dos EUA e da África do Sul afirmam que a diversidade facial do homem ocorreu não apenas por forças evolucionárias, mas principalmente devido a modificações genéticas

14 de dezembro de 2004

Estudo afirma que a diversidade facial ocorreu principalmente por modificações genéticas (detalhe do crânio do Australopithecus africanus. Foto de R. R. Ackerman/PNAS)

 

Agência FAPESP - Por que somos diferentes? Por que os rostos humanos diferem uns dos outros? De acordo com um novo estudo, a diversidade facial dos ancestrais do homem moderno se explica pelo resultado de dois tipos de forças evolucionárias, que ocorreram em diferentes momentos: a seleção natural e as mutações genéticas.

A pesquisa, de Rebecca Ackermann, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Cape Town, na África do Sul, e James Cheverud, do Departamento de Anatomia e Neurobiologia da Escola Médica da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, será publicada esta semana no site da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os cientistas explicam que algumas características primordiais da estrutura facial humana se desenvolveram como resultado da seleção natural, de 2 a 3 milhões de anos atrás. Essas características continuaram a se desenvolver durante a linhagem do australopiteco até há 1 milhão de anos.

O outro fator, as mutações genéticas aleatórias, teve papel importante na construção da diversidade facial no gênero Homo, de 1 a 2 milhões de anos atrás.

"Embora a seleção tenha tido um importante papel na diversificação da morfologia facial hominídea no Plioceno superior, esse não foi o caso durante a evolução inicial do gênero Homo, quando a modificação genética foi provavelmente a força primária responsável pela diversificação facial", escreveram no artigo.

Os autores do estudo analisaram sete crânios fósseis representativos de antigos hominídeos e dos primeiros membros do gênero Homo, como o Homo habilis e o Homo erectus. Usaram uma metodologia que difere de estudos anteriores por estar centrada no padrão de variações em traços físicos particulares e não na quantidade total de variações.

De acordo com os pesquisadores, a descoberta apóia a teoria de que, à medida que a cultura humana se desenvolveu, a menor pressão evolucionária permitiu o surgimento de uma maior diversidade morfológica.

O artigo Detecting genetic drift versus selection in human evolution, de Rebecca Rogers Ackermann e James M. Cheverud, pode ser lido no site da PNAS, em www.pnas.org


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