Para Ronald Dauscha, presidente da Anpei, o grande volume de inovações tecnológicas capazes de tornar as empresas mais competitivas ocorrem por meio de mudanças incrementais (foto: T.Romero)

Mudanças incrementais
06 de junho de 2006

Na abertura da 6ª Conferência Anual da Anpei, no Rio de Janeiro, especialistas refletem sobre o papel da inovação tecnológica como estratégia para um novo sistema nacional de ciência e tecnologia

Mudanças incrementais

Na abertura da 6ª Conferência Anual da Anpei, no Rio de Janeiro, especialistas refletem sobre o papel da inovação tecnológica como estratégia para um novo sistema nacional de ciência e tecnologia

06 de junho de 2006

Para Ronald Dauscha, presidente da Anpei, o grande volume de inovações tecnológicas capazes de tornar as empresas mais competitivas ocorrem por meio de mudanças incrementais (foto: T.Romero)

 

Por Thiago Romero, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP - "Muitos dirigentes entendem que, para inovar, é preciso realizar mudanças radicais, o que não é o caso. O grande volume de inovações tecnológicas capazes de tornar as empresas brasileiras mais competitivas ocorre por meio de mudanças incrementais. Os empresários precisam ter consciência da importância das atividades inovadoras."

As afirmações de Ronald Martin Dauscha, presidente da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), deram o tom no primeiro dia das discussões da 6ª Conferência Anual da entidade, nesta segunda-feira (5/6), no Rio de Janeiro, com o tema central "A inovação como estratégia competitiva".

"Estamos reunidos para que todos os agentes desse processo, como empresas, academia, associações e governo, coloquem os temas na balança para dar mais um passo rumo às mudanças necessárias para o aumento da competitividade nas empresas", disse Dauscha.

Para ele, a inovação tecnológica ainda é vista no Brasil como custo e não como investimento. Por conta disso, a conferência pretende desmistificar o tema e mostrar como a adoção de estratégias de pesquisa e desenvolvimento (P&D) é essencial para que as empresas conquistem novos mercados no país e no exterior. "Enquanto a média mundial de exportações de produtos de alto conteúdo tecnológico se situa em 30%, no Brasil ela não passa do patamar de 10%", relatou.

Para reverter esse quadro, além da formulação de uma política nacional de inovação "que seja perene, independentemente da troca de governos", seria preciso agilizar a aprovação de novas leis que melhorassem a aplicação de recursos destinados à inovação nas empresas. "Mas precisamos ressaltar que alguns setores do governo estão trabalhando para oferecer um arcabouço mais sofisticado de incentivo à inovação", apontou Dauscha.

Segundo Luís Manuel Rebelo Fernandes, secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), um dos problemas históricos do sistema nacional de C&T é ter sido sempre tratado de forma separada dos desafios da industrialização. "O desenvolvimento tecnológico praticamente nunca esteve no coração das políticas industriais, gerando uma segmentação entre as empresas e a inovação", disse.

Para Fernandes, o sistema brasileiro vive atualmente uma fase de transição em que a meta principal é o estabelecimento de parcerias que alavanquem a inovação, de modo que ela se torne o carro-chefe de um novo projeto de desenvolvimento tecnológico das empresas.

"A transição para a nova fase do sistema nacional de C&T vem se concretizando por meio de um novo marco legal instituído com a criação da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce)", disse Fernandes. Um dos objetivos dessa iniciativa é incentivar a competitividade nas empresas com base na capacidade de inovação tecnológica.

O secretário do MCT citou ainda alguns benefícios da Lei de Inovação que, ao lado da possibilidade de estabelecer parcerias mais consistentes entre empresas, institutos tecnológicos e universidades, viabiliza a subvenção direta de atividades de pesquisa e de desenvolvimento nas empresas.

"Por meio do orçamento dos fundos setoriais, a previsão é que teremos investimentos em subvenção de atividades de P&D nas empresas, ainda em 2006, de mais de R$ 250 milhões", afirmou Fernandes. Atualmente, apenas 3% das empresas brasileiras fazem uso de incentivos públicos para atividades de P&D.


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